segunda-feira, 19 de junho de 2017

A NOTÌCIA

O outro dia, um rapaz amigo, (rapaz não,  homem, homem também não, velho  e amigo),  deu-me a noticia, que nem era já notícia;
-Sabes quem faleceu?
- Não, disse-lhe. Se calhar,  vou adivinhar. O José?
- Qual  José que estás pensando?
Fiquei a deambular pelo escuro: Josés há tantos de facto...
Ele logo se antecipou.
- É pá: O José Silva.
A confusão continuou, surda, muda, redonda,  "matreira", e o resultado foi mais um naco de silêncio: foi alguém, logo pensei, que nos deixou. Que desapareceu , sem deixar rasto. Que sofreu, que andou por aí. Que chegou "cá", tal como eu,  " nu, descalço e  pontapé no cu... (perdoem lá a rudeza, mas às vezes é "preciso"...
E comecei a pensar no que é e como se comporta "tudo isto", e sobretudo como funciona. Ou se funciona?
E recordei o Fernando Pessoa, que só agora é recordado, talvez por um rebate de consciência, por ter dito "algumas verdades, mesmo que confusas para muitos," naquele tempo", em que também ele, era  "pequenino", como  tanto ele gostava, e "gozava"  dizer, "eles mandam no mundo, e nós somos o mundo", ele que era um humilde "empregadote" de escritório, na rua dos Douradores, terceiro andar, com um Patrão, alegre e rubicundo, sabido e oportuno, vivendo o negócio dos números e dos lucros, por fora e por dentro.
E que olhava  os seus pares, como vitimas da própria vida ou da sua inteligência ou falta dela.
E recordei quem poderia ser ou ter sido, o tal José. Ou o tal Silva.
Os  Josés e/ou os Silvas, qual a  "sina",  que lhes coubera em sorte?
E olhei o mundo mais ao perto. A tal Rua dos Douradores, dos Mercadores,  dos Sofredores. dos Mártires da Pátria ou dos  Mártires, sem ela.
E pensei: Também fui "empregadote" de escritório, numa Rua parecida, mas sem douradores. Cruzei  dias e noites, com gente em busca de nadas, na esperança do nadas.
Gente afinal que nasceu morta, e morreu viva,  aguardando a gentileza ou alguma deferência ou até  compreensão, numa hora sem data e sem fim,  como esta.
E que morreu, sem que isso acontecesse
Ou, como no caso do Pessoa,  retalhos "loucos" que nos deixou de prosa, que  chegaram e ficaram, que deixaram  memória saudosa, não de felicidade, mas  tristeza, o que afinal nos deixou bem claro, que o homem,  qualquer homem, não é assim tão pequeno, como é suposto, mais ainda quando tem a ombridade de se achar como tal, isto é, pequeno,  porque é aí que ele se engrandece,   enrobustece e até cresce.
E a palavra certa, é humildade, afinal toda a pedra e toda a lava de que somos feitos, não mais do que isso:
barro e calhau rolado.

ACONTECEU

Num momento de passagem pela vida, aconteceu.
E o aconteceu, é a tragédia, é a morte, com todo o seu "coro" de tristezas, dúvidas e desilusão.
Estou a pensar no incêndio, sinistro e   brutal, que assolou a parte norte do país, para os lados de Pedrógão Grande, um local pobre, de gente a quem fora consignada a "missão", nobre ou triste, de viver. Viver de forma simples, com muito suor e dor à mistura. Desta vez foi a própria Natureza lhe , aquela mesma que lhes deu a magia da Vida, a retirar-lhes barbara e avaramente de uma assentada reduzindo-a a pó,: árvores, calor, trovoadas, secas.
A isso, chama-se desgraça.
E as desgraças acontecem, de forma por vezes inesperadas e truculentas, até aos mais felizes, novos e saudáveis.
Dá que pensar. E muito.
Falar em resignação, é difícil. Falar em tristeza, também. Mas é a realidade.
Junto a minha tristeza, a todos os que perderam os seus amados familiares, amigos, e
conhecidos.





terça-feira, 13 de junho de 2017

Direita e Esquerda: VOLVER!!
Dirão alguns. Isto é do tempo da "tropa", por onde andou o signatário alguns anos, a um tempo em que era obrigatório e até era a sério e nem fazia mal a ninguém. Outros dirão, esquerdas e direitas, são simplesmente iguais, politicamente. A classe política tem muito em comum, é uma verdade, mas isto de direitas e de esquerdas, não é bem assim.
E para não roubar tempo, a quem tem muito que fazer (o que é isso?),  ou dele precisa, apresento um exemplo "simplérrimo" para não dizer "simplório":
Neste momento "contesta-se" uma nomeação para a TAP, mais concretamente a nomeação de um seu Director. Trata-se de o homem que negociou (e se opôs), a que ela,  TAP, fosse inteira e  integralmente privatizada, como a "tal direita", tão ardentemente desejava.
Bem ou menos bem, foi conseguido 50-0/0 para o Estado, o que não sendo bom, não é mau de todo.
Pois é este o homem que a direita não quer.
Amigos! Tirem lá as suas conclusões, admitindo que a TAP durante largos anos foi bandeira deste "malfadado" país.
Afinal,  melhor, e mais seriamente pensando,  o que interessa, é a sensatez do caso.
E aí sim: há diferenças. E grandes.




sábado, 10 de junho de 2017

UM PAÍS DE AFECTOS E DE MEMÓRIAS

O Portugal em que nasci e me criei, (e vão já muitas décadas), mesmo pobre, amordaçado e triste, era e é, "alguém" que fazia, fez e faz esquecer algumas amarguras e agruras , para que o sentido de pátria e sobretudo, o país dos afectos e das memórias ( que continua sendo),  não  diminua, se altere ou esvaia.
Isto para dizer que Portugal, (os Açores incluídos, sem que isto seja desprimoroso para nada nem ninguém,  bem pelo contrario), é um país que honra e é honrado pelos seus, estejam onde estiverem.
E o Portugal a que me refiro, é sobretudo a sua língua e a sua história, algo que leva à reflexão, num país com dez milhões de habitantes,  um estreito espaço entre o grande  oceano, e a imbatível Espanha de outras eras.
E ser açoriano, é tudo isso de forma acrescida, no que se refere às amarguras e às agruras.


quarta-feira, 7 de junho de 2017

A ENTREVISTA

O Primeiro Ministro, António Costa, nesta entrevista `a SIC, não nos surpreendeu: mostrou-se, aliás como sempre,  um homem sensato, que conhece a política e tem a palavra certa, na altura certa.
É um homem inteligente, que sabe o que quer e para onde vai, contrariando algum ou alguns Primeiros Ministros que o antecederam. O mesmo se poderá dizer, do actual Presidente da República.
Algo que afinal, é bom para o país e para os portugueses.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

ILHAS

A Ilha do Faial e  as   suas gentes,  em dia consagrado à Autonomia, à "festa" e à  "folia" do Espírito Santo, surge como algo agridoce   e  suave, às pequenas  contrariedades, que vão surgindo, no  dia-a-dia   do seu quotidiano. Até o Presidente da República, Marcelo , (uma feliz escolha do povo português),    sentiu ele próprio, na pele, aquilo que mais dificulta e "emperra", essa  consolidação, sobretudo aquela  que se deseja, isto é, que  se afirme como região, que é sobretudo devido, à descontinuidade geográfica, já que o avião em que seguia, não conseguiu aterrar no Aeroporto da Horta e teve de desviar-se para  o do Pico, em tempo útil, para que  o Presidente,  pudesse "apanhar a lancha",   celebrar o Grande Dia e também saborear, as  sopas do Espírito Santo, magníficas como sempre, estas a merecerem honras  Guiness, tal a sua profusão.
É isso. Quer se queira ou não, as   ilhas, são ilhas.  Ilhas rodeadas de mar por todos os lados, menos por um, que mesmo  com as mais valias e benesses da tecnologia actual e de todo o desenvolvimento tecnológico, continuam ilhas.
 Ilhas,  votadas ao "desencanto",  pela descontinuidade, pela geografia, pela natureza, pelo mar, pelas intempéries, pelas irregularidades meteorológicas, pelos sismos.
Claro que esses contratempos podem (e devem) ser vencidos ou no mínimo, atenuados, como no caso vertente, que com apenas mais alguns metros de pista de asfalto no aeroporto talvez se resolvesse. Outras, serão mais difíceis, quiçá impossíveis mesmo. Mas até  isto, não foi ainda encarado, apreciado ou  visto em pormenor,  
Uma Autonomia mais real,  racional e equilibrada, impõe-se. E não é por acaso, que a própria divisão administrativa, assaz muito antiga, está  a merecer  uma sacudidela, mas já assentava, nesse pressuposto, sobretudo dando realce à  proximidade, à distância, ou a ambas em conjunto.
Os Açores, e dentro dos Açores, a ilha do Faial  em particular, merece uma reflexão. A Horta era uma sede de Distrito, dos três,  que compunham a Região Açores,  Distritos Autónomos, a saber, Angra, Ponta Delgada e Horta.
Hoje apenas se contemplou  a Horta que é mono concelhia, com a sede da Assembleia Regional e um Secretaria Regional.
Já teve uma Secretaria dos Transportes e do Turismo e uma Direcção das Comunidades que lhe coube em sorte, mas isso foi "chão que deu uva".
 Mais do que  nunca, é uma terra toda ela virada para a emigração, pois não gera emprego e não fixa o que de melhor possui, a sua juventude, um "cadinho" humano, tendo como  destino a senda da saudade.
Foram-lhe retirando, palmo a palmo, e colocando tudo o que a Autonomia "achava por bem" noutras paragens, quiçá mais populosas, mais "desenvolvidas", mais apelativas ao voto,  não tão "debilitadas", porque  não tiveram o martírio das crises sísmicas tão acentuado e prolongado, um despovoamento que nunca mais se reequilibrou.
Hoje, é apenas  através do Facebook e  de outras redes sociais,    que  os seus autóctones, vão "matando"  saudades, e dedilhando-lhe" alguns, afectos  elogiosos,  e pouco mais.
Mas é pouco. Muito pouco...


quinta-feira, 1 de junho de 2017

A FEIRA DO LIVRO DEIXOU DE CÁ CHEGAR

Tempos houve em que a célebre "Feira do Livro", que se realiza todos os anos, sempre por esta altura, em Lisboa, tinha representação nossa, isto é, dos nossos livros ou seja dos livros dos nossos autores, dos nossos escritores, dos nossos poetas e refiro-me aos da Horta.
A própria Câmara se encarregava de o fazer,  para o bom nome da terra, da região, dos seus autóctones. Era uma forma de divulgar o que por cá se fazia em matéria de literatura, de escrita de livros e pensamento.Uma medida que ajudava a divulgar e a mostrar, que também e por aqui, havia Portugal, e havia (e há) escritores e
valores, e língua portuguesa (a única coisa bem feita, que os portugueses criaram, mais ainda do que a gesta dos descobrimentos), 
 e que há  quem perca suor e dinheiro, tentando enriquecer e valorizar a cultura destas terras,ainda tão distantes e tão tradicionalmente abandonadas.
Até isto acabou.
É caso para perguntar: PORQUÊ?

 












































































































































































































SERÁ POSSÍVEL?

Será possível que Donald Trump tenha sido ou seja, o homem escolhido por sufrágio, para dirigir a maior e mais bem apetrechada nação do mundo?
Violando tratados? Dizendo incoerências? Maltratando o bom senso? Gerando mesmo dúvidas, quanto à sua legal e correcta eleição?
É caso para perguntar: onde quer ele chegar? Onde quer levar o seu país?
E por último: o MUNDO?



quarta-feira, 31 de maio de 2017

DENÚNCIA PREMIADA?

Ser justiça ou fazer justiça,  é, e será por muitos e bons anos, uma tarefa imensa e uma  dificuldade enorme para o ser humano.
Mas essa justiça quando feita, deverá no seu mínimo, ser conseguida através de meios coerentes e minimamente democráticos.
A delação ou denúncia premiada, em termos populares, "bufice", é, em minha opinião, uma antítese à própria justiça.
Dar "regalo",  dar "gozo" ou dar  regalias ao pequeno "traidor", facilitando a vida ao "justiceiro", mesmo atropelando por vezes, defesas e defensores, para além de riscos imensos, é de uma incoerência política e humana enormes.
Que me perdoem lá, os defensores dessa tese.
Mas, em minha opinião, é tornar ainda mais "injusto", aquilo  que chamam justiça.

domingo, 21 de maio de 2017

UM "BASTA", MAIS "ENVOLVENTE"

Não sei se tenho o direito de  "rir", ou se  posso. Se devo dizer sim, não, ou  basta.
Vem tudo isto a respeito do muito  que passa, após o 25 de Abril, afinal, algo que  trazia já  "balanço", de   outros   tempos e eras, menos democratizados.
E a constatação é esta:
Os políticos continuam a ser os "alegres"  contemplados dos regimes, sejam eles, democráticos ou não, mesmo levando consigo,  epitáfios  pouco lisonjeiros. E é um ver "se te avias" com as "guloseimas", que vão usufruindo, além dos proventos das suas carreiras meteóricas, uns, antes ainda de  partirem para outras e novas  " vidas" lá muito longe,  outros, continuando no remanso inesgotável, que as situações vão oferendando em cada dia.
E o "rir", vem daí. Quem se segue? Quem vai ser?
  E as políticas, e seus mentores, dão voltas à mona?  Como,  vai ser com este? Um largo?  Praça?  "Medalha"? Estatueta em estanho? Bronze? Lata?  Numa ruela escondida? Num pátio "sem cantigas"?
E surgem os nomes e as personalidades. E surgem as perguntas e as interrogações também seguidas de comentários:
É pá!   Quem é este? E  aquele?  Que fez? Tem obra feita?
Ninguém sabe.
E vem a resposta: Foi político. É político. E isso basta. E o basta, devia ser mais "envolvente".
Só que não é...


E dá que pensar. Tudo muito politico, muito banal, muito desigual, muito superficial, muito...feio.
Não é apanágio das democracias, mas elas ajudam. E a liberdade é também isto.
Mas tem uma "coisa". Rir não está  proibido (por enquanto).


GRANDEZA, NA PEQUENEZ

Convém não esquecer, que nós homens, somos muito pequenos, em relação a "Isto" que nos rodeia. Por isso mesmo, opiniões e pensamentos, "como dizem os comentadores", valem o que valem. E é no limiar deste mesmo pensamento, que, e segundo recentes "acontecimentos", no caso religiosos, dá-nos para pensar.
Primeiro: a visita do Papa à Cova da iria. Sem discutir., origens, causas, factos e efeitos, e respeitando quem  entende, que a fé lhe é necessária e imprescindível, penso que qualquer humano deve reflectir a seu modo, este acontecimento, sobretudo o que o leva a acontecer.
O segundo: Trata-se das festas do Santo Cristo dos Milagres. E sem querer olvidar ou enfatizar a sua  longa história, devo dizer que sobremodo me impressiona essa manifestação de fé.  A própria imagem, com o seu semblante triste, embora recamada de jóias e de pedras preciosas, revela uma espécie de riqueza e uma memória, que impressiona sobretudo pelo seu semblante e o seu olhar, de
compaixão, sofrimento,  e dor, que nos leva a convocar, a uma espécie de reflexão, que bem vista e  observada, traz-nos sempre algo  novo, mas muito antigo, a perder-se nas profundezas do Tempo.
E que as religiões, no caso e  sobretudo do "lado Ocidental", deste pequeno espaço que se chama Terra,  o Cristianismo, que não demitindo réis nem cabeças coroadas ou dividindo mundos, tal como o fez no Tratado de Tordezilhas, é ainda uma força  altamente considerável e porque não,   também,  respeitável.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

UM MUNDO A REPETIR-SE

A insatisfação ou a "saturação" de um mundo, quiçá  semi-louco e hostil, está a levar-nos, por um trilho "estranho",  a "regressar" e/ou  a repetir, atitudes e temas do passado.
Nessa linha,  estará, por exemplo, a heroicidade de ganharmos, pela vez primeira, um primeiro lugar, numa canção da euro visão. Uma temática e até um estilo, que fez gala há uns  anos atrás e que não dava para concursos "festivaleiros" como a eurovisão: amor, ternura, e outras "bem-aventuranças" que eram considerados lugares comuns, no dia a dia das gentes.
E isso, em alguns aspectos, quer na arte, quer na própria escrita e até na cultura, nem é mau de todo, porque afinal fizeram-se coisas boas no passado, que foram esquecidas e rotuladas de "deja vue",  "demode", etc., etc.
As opiniões mudam  e os gostos também, e mudam como o vento, mas o bom permanece eterno, e  "irrevogável"
, não tanto como aconteceu com certo político da nossa praça.
E é bom que assim seja. A mudança é precisa, mas sempre para melhor ou para melhorar, não o contrário.
É o que penso.
E fazer comentários, de que isto e aquilo, é o "melhor" ou o "maior", é preciso ter cuidado, até mesmo em futebol, afinal outra loucura do nosso bemfazejo e abençoado tempo.





segunda-feira, 15 de maio de 2017

Tal como minha santa mae dizia: velhos, sao os trapos

Cada vez mais e mais, dificultam a vida aos velhos; "eufemisticamente" falando, aos "seniores".
Um vê se te avias, meus caros: de governos, governantes e governadores. Em tudo o que mexe, remexe e manda. Nas  apólices dos seguros,  nas cartas de condução etc., etc., etc. quando, até na condução, provado está, que o maior e mais significativo número de acidentes, acontece entre os mais jovens. Isto para dizer, que os "velhos" são tratados como "coisas", lixo, ou abaixo disso.
Olhando bem a história, e olhando o passado, eram os mais velhos, considerados os mais sábios: Os arcontes,  anciãos das velhas, Grécia e Roma.
Isto para dizer, que o respeito acabou, pelo tempo, pela experiência e pela sabedoria que  ele ele inspirava.
A seguir só falta mesmo a "injeçãozinha da ordem", a chamada  "eutanásia da bicheza",  aquela que faziam alguns "lúdicos", amantes da  natureza e da "coisa com vida", ( e que ainda continuam), aos canídeos e gatídeos abandonados e apanhados, na rede da desgraça.
Ora digam-me o que é isto?



UMA "INESPERADA ONDA DE ALEGRIA... TALVEZ  RODEADA "AINDA" DE TRISTEZA, SE INICIOU.
A visita do Papa Francisco,  o Festival da Canção, (conquistado por um "herói"), o crescimento  económico,  (algo que não acontecia há uns anos), o governo "positivo" de António Costa, a Presidência do país  de Marcelo Rebelo de Sousa, os índices da economia, jamais  alcançados depois do 25 de Abril, são sinais evidentes, de que uma certa alegria,  se iniciou, neste pequeno "rincão florido" à beira mar plantado, todo ele chamado Portugal.
Tudo isto, é algo que o povo português já há uns tempos vem merecendo.
Mas a teimosia de alguns e porque não, a estupidez de outros, foi protelando.
Primeiro, a política, a demagogia, o aqui "mando eu", e mais algumas diatribes rodeadas de floreados políticos, afinal que nem são apanágio deste ou daquele governo, mas de um século que se iniciou sob a égide da incerteza e porque não (?), da loucura,  e que vem castigando a raça humana.
É caso para dizer: vamos ajudar para que se consiga sair desta fossa que nos metemos,
ou melhor, que nos meteram?
Vamos a isso!






terça-feira, 2 de maio de 2017

A ARROGANCIA, A INDELICADAZA, O DERESPEITO, A GROSSERIA E A FALTA DE VERGONHA

A arrogância, mais do que uma atitude individual e colectiva, alias reprovável, eh para alguns,  uma forma de estar na vida, de pensar e de sentir, que remonta a velhos tempos do anterior regime. Com mais de quarenta anos de democracia em Portugal, pensávamos, que, com o "beneplácito" dos ideais democráticos, ela se extinguisse ou pelo menos fosse banida ou compelida a diminuir. Nada mais errado. Cresceu a olhos vistos. E eh ve-la de todos os ângulos e por todos os lados. Desde as mais altas magistraturas, ao mais sisudo e humilde  manga de alpaca.
 A pseudo-importância, ou um poder mal assumido, gera essa confusao e essa gente, sequiosa de parecer ou querer ser grande. E ela arrogância, nao vem sozinha, traz consigo companheiros e companhias, que sao a indelicadeza, o desrespeito, a grosseria, e a falta de vergonha.



quinta-feira, 27 de abril de 2017

O "laicismo" e a vinda do Papa a Portugal

Neste Portugal  "democrático", onde de tudo há um pouco, vão surgindo novidades, em cada dia que passa.
Agora o assunto   em destaque e que aquece  ânimos, não será  propriamente esta memorável visita   do Papa Francisco, ou a canonização dos pastorinhos, embora essa esteja "resguardada" pela comunicação dita social, para mais tarde. Não! Trata-se precisa e talvez ridiculamente apenas de uma "dispensa de ponto" no dia em que ele, o Papa, nos visita. Socorrem-se, os políticos mais "farfalhudos" ou "esquerdizantes" para não dizer fanáticos,  de que Portugal, sendo um pais seguidor do laicismo, e o governo não pode "transigir" nesta matéria, como se o laicismo fosse assim tão dominador nas decisões de um governo, ele próprio laico e socialista, mas, ao fim e ao cabo, demonstrando  bom senso, em  bem receber, e até seguindo uma antiga tradição que tem sido a de proceder desta forma anteriormente com outros sucessores de Pedro.
Os exageros e os radicalismos são maus conselheiros em tudo, até na politica.
O único "senão" que se poderia apontar, é o facto de ser apenas atribuído à função publica e nada mais. Mas isto, nem sequer é da exclusiva competência do governo. Uma dispensa de ponto, é da iniciativa da própria entidade patronal.
Mas o mais interessante e até curioso, é que o  Papa que escolheu e bem, o nome de Francisco merece-o.
O próprio Presidente da Republica já o afirmou: tem sido este o procedimento com outros papas que nos visitaram.
Porque não  com este, que afinal, e se é  diferente, é para para melhor.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Fragilidade e pequenez, tudo o que nós somos

O "ser humano", sem ter de  recorrer ao que, chamarei de  "simpático estratagema",  de engendrar heterónimos, (outras personalidades e vidas, que eventualmente poderão ser a sua própria, o caso mais elucidativo, o de Fernando Pessoa),  deveria antes, poder, sem  ter,  por trás, a magia da criação, viver na realidade mais  vidas, ou melhor,  mais Vida. Porque ela, a Vida, é demasiado curta em Tempo, mágica e bela, para ter o fim a que lhe destinam, porque  esvai-se tão depressa, sobretudo quando no trilhar dela própria, se atinge algum tempo e a mínima consciência do que somos, do que viemos aqui fazer, do que nos separa de outras vidas, sistemas, forças e grandezas. Esta mesma consciência que nos leva a pensar e a sentir, que somos afinal tão pequenos, inseguros, frágeis, limitados, para entender isso mesmo ou seja, o que somos e para onde vamos ou queremos ir realmente.
Esta vida, que não é obra de forças cegas ou de  acasos inseguros, que tudo justificam e de nada  nos elucidam;  Vida que consegue ela própria, recriar-se, multiplicar-se, entender e entender-se, mas sempre com a limitação permanente, de um fim  sempre presente e pouco entendível,

É caso até para "questionar", se toda esta magia  é ou não será, uma "falácia ou uma "mentira"?
Afinal, uma mentira, que mesmo repetida, nunca chega a ser verdade.


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Novidades? Sim. A CGD e a tal mentira,isto como se os políticos não mentissem, nunca...Dá no míinimo para rir... Havia até um que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava...

Cada vez mais me impressiona, como a classe política da oposição, gere as suas forças no ataque.
Isto que acontece agora com a CGD, é de uma inusitada vergonhice. Arranjam no "mercado" financeiro, um "credenciado" banqueiro da concorrência, e toca a convidá-lo para a gerência do banco público de nome Caixa Geral de Depósitos. O homem aceita (o ordenado é grosso) mas  propõe ou impõe condições, como se  pudesse fazê-lo, isto à revelia de todos e de tudo até do Constitucional e do próprio PR. Mas o Constitucional já, e por diversas vezes, foi ele próprio ignorado e até alvo de ameaça de ser dissolvido para se conseguir arranja-lo mais a jeito dos proponentes. E isso é que é grave ou era e pouco se falou sobre isso. Eis a grande questão de agora;  alguém está a "mentir " ou a falsear de que havia um acordo para não se dizer quanto onerava o nosso homem da banca. Esta foi considerada a mentira do ano, como se os politicos, todos os que povoam essa esfera, não mentissem. Um crime de lesa majestade, assim considerado pela direita portuguesa, como se a política fosse isenta de mentiras e outras incongruências, neste caso  presente, que mesmo  a ser verdade, é algo sem qualquer importância, maquinado somente para desestabelizar e truncar o que estava a ser feito e talvez bem feito.
Quando tanto se necessita de estabilidade e entreajuda, porque o país precisa e os portugueses também, surgem estas tricas, sem coerência e sem graça, um revanchismo idiota que a ninguém interessa e a ninguém beneficia, nem mesmo aos que desejavam privatizar a todo o gaz a CGD, e alcançar o retorno ao poder.



quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O NON-SENSE OU AS VICISSITUDES DE UMA CRISE DE VALORES

Estamos em presença de um conturbado momento em que o ser humano ultrapassou já, deliberada, ostensiva  e escandalosamente, a barreira do minimamente  aceitável em termos de equilíbrio e de consciências, quanto à avaliação e/ou  à diferença que separa o bem do mal, o necessário do  útil,  o urgente  do acessório, sobretudo, e mais vincadamente, quando se tratam de decisões políticas, (as suas implicações e sequelas), o que  nos leva a pensar, que a insensatez e a loucura neste século,  não andarão por longe.
E é na área política sobretudo, que as evidências são mais notórias.
As eleições recentes nos Estados Unidos são a prova disso mesmo.
O slogan de uma personalidade (voltar a ser grande) com um discurso paupérrimo de conteúdo e saudosista, truculento e ignorante, a apelar   a tempos áureos de poder,  algo que já ouvimos a ditadores do século passado, surtiu efeito - deu para ganhar as eleições.
E isso  mesmo com menos de  três, a quatro milhões de votos, e contra todas as expectativas, até  das sondagens mais optimistas.
Quer isto dizer que,  o poder e a Democracia estão de pêsames, e isto no país mais poderoso da actualidade, os Estados Unidos da América.
É, em minha opinião, a decadência  do poder, da  política e da Democracia.
Aqui neste pequeno rincão florido, à beira mar plantado, -Portugal-, também certo tipo de insanidade, está a aflorar às hostes políticas. E veja-se este caso  da TSU.
Isto num país em que, nem só o salário mínimo é uma vergonha: onde é quase tudo uma vergonha.
Isto num país em que o salário mínimo, nem sequer é cumprido. Porque essa meia dúzia de euros de aumento, nada resolvem e levantam enormes problemas; isto porque o que tem um salário de 600 ou 700 ou mesmo mil euros, começa logo a "cuspir", dizendo que tem mais qualificação, que paga  mais impostos, que  vai ao hospital e tem de puxar pela certeira enquanto o outro não.
Outros "cantam", que não tarda muito,  que estejamos todos no salário mínimo nacional, se houver dinheiro para tal.
Mas o mais ridículo, incoerente, e destituído de qualquer sentido (que não o político), é ver-se um PSD, um partido aliado do patronato, votar ao lado do Bloco de Esquerda e do PCP, partidos de convicções fortes, mas que em termos de estabilidade da governação, não sabem, nem querem lidar com ela e que são até nessa matéria, antagónicos.
Resumindo: Quanto à eleição americana: um homem da construção civil, ignorante,  arrogante e impreparado (para não utilizar outros adjectivos), com discurso de híbrido de capataz em pre-reforma, é eleito  Presidente da mais poderosa nação da Terra.
Por cá, um Partido claramente neo-liberal (o que é favor), vota contra  uma "regalia" para o patronato.
A isto chama-se no mínimo "non-sense".
Eu diria que é loucura mesmo...






terça-feira, 10 de janeiro de 2017

UMA OPINIÃO

Quem por acaso, ou por outra "obra" menos edificante, me tem acompanhado "nos escritos"que produzo, à revelia do ócio,  do "demo" ou de outra "quinquilharia"  qualquer, sabe como não sou grande apreciador daquilo que se convencionou chamar  "homenagem". Num dos meus opúsculos, uma das personagens, recusa-a simplesmente, alegando que há (e  há sempre mais gente a merecê-la ), embora fosse homem de lutas e de riscos  e merecimentos mil. Isto para dizer, que não discordo das homenagens em si, quando elas são merecidas. Quanto a Soares, concordo totalmente. Ele enfrentou o regime, (embora aí tenha alguma dificuldade, em saber o que era enfrentar o regime e também o que era medo), porque afinal,  cheguei a tê-lo.
Escrevia nos jornais, tinha família, "beneficiava" de um emprego público,  também ele sujeito a imposições em matéria de colaboração com jornais visto ser nas telecomunicações . Mas continuei e (embora digam que o Mário Soares nunca teve medo) não acredito. O medo existia; andava no ar e descia à terra... E como anteriormente citei, eu próprio o tive algumas vezes. Mas isso de defender princípios e causas, é uma mania como outra qualquer.Por isso, esta homenagem a Soares, (embora ele tenha mais uns anos do que eu, e   tenha alguma dificuldade em falar sobre assunto,   já que faço parte desse tempo), entendo-a perfeitamente. O medo havia, e era algo respeitável. Se  o cidadão não se "manifestava", vivia em "santidade" mesmo que houvesse janelas a caírem. Era uma espécie (perdoem-me  o "pleonasmo", de remanso, à beira do fosso. Se pisasse risco,  aí sim, era o diabo...
Isto que fizeram ao Mário Soares em termos de reconhecimento, está  bem.  Porque é algo que faz bem ao amor próprio das pessoas,   à alma das gentes, do país, ou/e aos locais que produzem essa gente. E valorizar não faz mal. O único mal, é que grande parte desse "onus", só aos políticos é consagrado . E  há por aí tanta gente, com tantas, ou mais valias.. E esperar a morte, também é uma forma, no mínimo esquisita, de manifestar um reconhecimento. Afinal e resumindo, acho que se deveria reconstruir ou talvez reconquistuir essa ideia de reconhecimento dos cidadãos aos que   aos  que o
mereçam. Não fica, nem faz mal a ninguém. Bem pelo contrario.

Politico, homem de luta, da Liberdade e da Democracia

Homem da Liberdade,  da Democracia,  e  da política. Assim foi Mário Soares, um laico, republicano, (por vezes até se mostrou controverso nessa matéria), um adversário ferrenho do regime Salazarista, um regime que metia e meteu medo, principalmente a quem discordava dos ditames desse mesmo regime.
Mário Soares encarnou  porventura uma maioria silenciosa, que desejava dar corpo ao seu pensamento e à sua palavra. Poder fazer valer da sua condição de cidadão, para  votar livremente, e não apenas elogiar a (obra), mas criticar também. Ter direito  à participação, à reunião, ao pensamento individual e colectivo.
Mário também sentiu esse medo, mas combateu-o, e lutou para  eliminar e conseguiu-o.
 Homenagear  Mário Soares, é fazê-lo em nome de todos os cidadãos que arriscaram para que essa liberdade fosse uma realidade, através sobretudo da escrita, toda ela controlada pela censura do regime, que dissecava, períodos e páginas, procurando, fosse o que fosse,  mesmo que esse fosse, fosse
a "agulha no palheiro".
É esse o grande mérito de Soares. Dar voz aos muitos que morreram e que  porventura não alcançaram essa sorte ou esse consolo. E esse consolo e essa sorte, tem um nome: L I B E R D A D E e ter ou possuir a alegria de a ter perto e usufruir dela, de forma positiva e respeitosa.