quinta-feira, 21 de abril de 2011

QUE BOM!

Sou levado a pensar, que mesmo tocados pelo estigma  da crise ou da bondade, somos pródigos, em muita e muita coisa... Ora se não, vejamos: são os feriados, as pontes, os dias pios, os  santos, os santificados...
É ver como o pais pára, impávido e sereno,  quase uma semana, para assistir às exéquias da Semana Santa... Superior e mais ortodoxo, só mesmo no reino das Filipinas...
Diz-se que são uns quantos milhões que se perdem, (fala-se de 20, só na tolerância de ponto). E em 650
em cada dia que passsa...sem trabalho. E as pontes rondam os 850 milhões...
Oxalá que os finlandeses não se apercebam disso. Nem o FMI.
Afinal como é bom  ser cristão, neste jardim de brandos costumes à beira-mar plantado...
Ou não  ser, e fazer de  conta de  que se é...Porque afinal, e bem vistas as coisas, também dá no mesmo...

terça-feira, 19 de abril de 2011

MÉDICOS A MAIS?

Já  vão quase duas décadas. Uma senhora Ministra da Saúde muito conceituada no tempo, disse  da sua justiça: havia médicos a mais. Era preciso fechar   Faculdades de Medicina. Lembro-me muito bem de que  houve quem andasse com as calças na mão. Então? E os cinco e seis anos que andámos para aqui a malhar ? E aqueles lindinhos cadernos de Anatomia? Que custavam um dinheirão e muitos anos para  por na cachola?
 Não! Não havia mais nada para ninguém...
Houve quem quisesse ver naquilo uma birra. Outros, uma tremenda estupidez. Então? Não havia país nenhum que se gabasse  de que tinha médicos a mais. Mas nós,  os portugueses, tinhamos . " Só que, o haver havia, agora é que já não há". Até parece  o slogan do canalizador do gaz...isto numa Europa que se queria a zero velocidades...
E a solução ao fim destes anos todos aí está: médicos espanhóis por todo o lado...
E agora, que já não chegam, vêm-nos da Colômbia. Qualquer dia, do Saara. Nada tenho contra esses profissionais, são sempre bemvindos desde que sejam competentes, mas vejam ao que isto chegou. Recusavam-se naquela altura candidatos com médias de quase vinte valores para entrar em Medicina...
Quantas expectativas frustradas? Quantas perdas e quantos danos?
E ninguém se responsabiliza ou responsabiliza, quem tanta culpa teve nesse cartório...Será que a memória é  curta? Ou convirá que assim seja?
É preciso não esquecer que um desses profissionais leva no minimo quatorze ou quinze anos a lá chegar...
 É altura de responsabilidades, de pedir responsabilidades também aos políticos, mas  o que se nota é exactamente o contrário. Arranjam-se-lhes quase sempre um final feliz e boas pousadas para sonhar...e ganhar bem a vidinha...

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Uma Europa a Várias Velocidades...

Não poderei dizer que fui ou que sou o que muitos cognominavam  de  eurocéptico. Mas lá que sempre tive dúvidas quanto à consecução do projecto da União Europeia? Ai, que sempre as tive!
Países cultural, económica e politicamente tão diferentes, unidos apenas   pela moeda e pouco mais?
Era algo bom demais para  ser verdade. E depois,  os lobões e os lobitos além Atlântico sempre  à espreita e a verem nisso mais uma ameaça e o ruir do seu próprio império? E o dólar todo poderoso? E a solidariedade? E depois, uns muito mais ricos, outros muito mais pobres, mais  ou menos  industrializados, mais ou menos rurais ou se calhar  mais atrasados? Onde os colocar? Em que galáxia?  Como reequilibrar ou conciliar essas diferenças?
Ora! E aí temos a resposta, uma dúzia  de anos passados: cada qual  mostrando  quanto vale e a  querer fugir  para o seu lado.
Por baixo começou por ficar a débil Grécia; depois surgiram vários outros países, desde a Irlanda, à Islândia, passando por Portugal, com muitos outros na lista de espera ou na rampa de lançamento, alguns que se pressupunha  que fossem  poderosos...
Por cima, como não podia deixar de ser,  foram ficando os bons, os " solidários", aqueles que nem por nada  querem entrar no jogo e no cardápio...Amanhem-se lá como quiserem e puderem, é o que dizem. E há também os larápios, os que engordam à custa disto tudo e da miséria dos outros. E há também  os que se rebolam de gozo, porque a CEE ou a UE, afinal era  uma farsa. Mas há os que apertam o cinto e os que acreditaram e precisavam disto como de pão para a boca...para redenção da sua  penúria...
Ora a ver vamos até onde isto   chega...
Não vivemos  numa alcateia de lobos bem treinados, "numa aldeia global"? Sempre prontos para o que der e vier...Pois então?!
Cada vez mais me convenço de que o homem é isto mesmo: um predador à altura do século que criou...Ou se calhar, inventou...?

quinta-feira, 31 de março de 2011

Crise? Palhaçada? Ou talvez não...

Hoje já nada me espanta. E não me espanta, porque as pessoas (algumas pelo menos), encarnaram  pequenos monstros e insaciáveis vamprios. É ver essas agências de rating. É vê-las avaliando com o maior despudor e à vontade (digo zêlo), os países mais coxos ou mais pobretanas, apelidando-os de lixo (quer  sejam instituições,  e não só, com um historial credível), no panorama abstruso incompreensivel, daquilo que se convencionou chamar  economia mundial.
Uma agiotagem tão asquerosa  que mete nojo. Só que essa agiotagem está a condenar  à fome milhões de seres, familias inteiras, crianças e velhos, gente que desejava,  queria e tinha o direito de viver  melhor.
Quem anda por de trás de todo esse imbróglio? Onde está a cabeça desse  polvo ignaro e invisível?
Com que intenções ele vai sugando? Quem tem força para o estripar?
Em Portugal a sensação de riqueza que se gerou com a aurora de Abril, foi  perversa, quase falsa, tal como várias outras  utopias. Grandes proventos para uns, nada ou quase,  para outros, a gosto de governantes de ocasião. Arrotar postas de pescada, tornou-se  tarefa fácil  para o Zé . Que passou a mudar de pó-pó mais vezes, por vezes ano-sim, ano-não. A ter mais doutores nas suas fileiras, embora alguns  continuem sem saber   qual a capital do reino da Dinamarca. Aí também houve ingenuidade e até alguns culpados. Salvou-se o melhor: a LIBERDADE, por vezes até esta foi  confundida e posta em causa, por quem mais a desejava: o Povo, um palavrão que no meu saudoso tempo apenas servia o judaico-cristianismo que o utilizava só e com parcimónia em fins de semana ou em cerimónias menos frequentes ou mais pias.
Mas a CEE ou a UE não agradou a alguns   troianos, àqueles porventura que tinham os olhos   virados para dentro ou para o seu  próprio  umbigo. E aí está a aligeirada resposta: a  crise.Uma crise que é, ou talvez não, também uma  palhaçada. Não de rir; mas de chorar...
Olhem a missiva da Irlanda, um aviso ao carreirismo  político caseiro que abunda. Que a revejam e que a meditem com cuidado. Mesmo aqueles que nunca aprenderam  a malfadada tabuada, porque tinham à mão as minusculas máquinas de calcular e o  dinheiro para as comprar...coisa que a gente não tinha, nem sonhava nem sequer com  sombras, no nosso malfadado tempo.
E fala-se de gerações rascas, e de gerações à rasca ...
Olhem para a minha! Liceu? Isto era   na altura, coisa rara e para  fidalguia...
Agora? Agora  até os vão lá buscar a casa (os meninos)...e de graça...E até lhes oferecem ensino privado e bolinhos quentes  à mistura, que o digam alguns doss sensíveis papás...
Telefones e pó-pós? Viam-se mas  muito poucos, só para os senhores, não vou dizer drs., porque esses  eram também raros e bem poucos, e  escassos em muita e muita outra coisa...
Empregos? Cunhas? Fome?
De tudo isto havia para dar e vender,  ou então só para alguns... Era  tudo, pelo menos, um milhão de vezes pior do que agora por aí acontece. Refiro-me material e socialmente...Só que havia um coisa importante que desapareceu da lusolandia e um pouco por todo o mundo: a palavra. E a palavra  significava simplesmente honradez...Mas deixem-me lá sonhar, que é  bom... Isto vai mudar, sim  senhor! Para melhor... Para melhor...
E não se esqueçam de extirpar a tal cabeça ou as tais cabeças do polvo...Que se calhar são muitas...
Uma palhaçada...Mas muito e muito  triste, meus amigos...
E não ponham a culpa ao pobre do  Sócrates que já teve os seus dividendos e os  nomes mais sonantes de todos os quadrantes, (politicos e não só), e que se aguentou firme   como uma  rocha ou a outro malfadado politico mais novato,  fresquinho, e cagãozinho,  de última hora. Porque esse terá de fazer o mesmo que o malfadado dito cujo  ou bem pior: ir buscar o dinheiro para pagar as dívidas, que já somam  milhões e não vêm de agora: vêm de longe; de há muitos e longos anos. Rebusquem no miolo dessas memórias emperradas e vejam, a começar pelos  quadros especiais da  função pública, uma reestruturação em proveito próprio ou apenas para alguns  felizardos da agora tão perseguida e proclamada  função pública...!
Como julgam que viveram nestes  últimos anitos todos, meus heróicos   convencidos?
Preparem-se para o sacrificio QUE ELE JÁ AÍ VEM, isto é se querem que isto continue! E talvez melhore...
Ou então? Ai dinheiro! Ai vida! Ai pensões!
Ai! Ai! Ai...Nem o FMI nos vai poder salvar...
E não queiram voltar para trás, tal como nos rezava a tal cantiguinha  do Mourão, "Ó tempo volta para trás..."...Porque eu  não quero, nem recomendo...Nem sequer ao meu maior inimigo... de estimação...

Nota: Sei que recentemente    andam por aí a tentar por as mãos nesses  manfios, os  amiguinhos dos  ratings, e  tentam desesperadamente considerá-los no mínimo como  delinquentes.  Há muito que digo isto...Então que diabo de democracia é esta em que vivemos?
A roda para poder ir ao eixo precisa de mão firme, mas justa e já agora, porque não, democrática?...Se não, nem vale a pena viver nesta bagunça... E mais: sei  também que o tal  FMI está já cá a arregaçar a manga, não para fazer cócegas, mas para começar a molhada, e   sei também   que aqueles que não aprovaram as   medidas de contenção do famigerado PEC4, vão ter de engolir o sapo... vivinho da Silva...Só que maior...muito maior...
AHHHHHHHHHHHH...Só quero é rir....Porque,  tal como tu , vou ter de chorar...
Se calhar o "Ai! Ai!  Ai", já nem vai ser suficiente...
E até acho que  o que lá está no banquinho à ordem,  que é pouco, e  suadinho, pode ir à vida...engordar a súcia mentecapta que nunca nada fez... senão barulho e a sua aritmética de números invisíveis... de magia...para consumo próprio e exclusivo...

terça-feira, 8 de março de 2011

SÉI QUEM ÉS

Não te conheço
Mas sei quem és.
Olho nos teus olhos,
Vejo nos teus pés,
Gastos, doridos,
Tanto sofridos,
Cansados de andar,
Por longe, por perto,
No mar do deserto,
Na pedra queimada,
Da terra enjeitada,
Contigo a chorar
Lágrimas de basalto.

Arrancas o pão
De redes ao alto,
Enchada na mão,
Quase em sobressalto,
Beijando o suor,
Com ósculos de dor

O Tempo passa,
E ficas à espera,
Que um dia qualquer,
Te tragam amor,
Te dêem a Graça.

Não te conheço,
Mas sei quem és,
Por isso peço licença
Para  secar-te os olhos,
E beijar-te os pés.


H. Moura   26.2.1995

domingo, 6 de março de 2011

Quando contemplo o mundo, sinto vontade de rir... E de chorar...

Quando   contemplo o mundo e olho a vida, sinto vontade de rir... E de  chorar...
Refiro-me  concretamente ao mundo dos homens,  em que a reflexão é coisa  invisível,        exótica, rara e desconhecida.  E em que essa reflexão aponta   para um misto de sádico e de  maquiavélico, um egoísmo e uma   hipocrisia, que se  generalizou e tornou hábito. 
Dinheiro a quanto obrigas?!
É isso? Vive-se numa sociedade hipópcrita a tempo inteiro recheada de prostituição e de masturbação intelectual. Mas nem pensem  que  estou a referir-me  a tabus inquietantes de  "abuso"  ou de preversão sexual ou a outros  comportamentos impostas pelos padrões morais de vida  nas sociedades  modernas...
Pelo contrário. Refiro-me a  fórmulas igualmente requintadas, mas de viver na dependência da infelicidade e da dor... Refiro-me concretamente à dor  da "Vida", porque a dor de hoje atinge    a vida toda : a humana e  a outra... a que a envolve.
Ajuda a melhorar isto...Com as armas que te deram ou talvez te emprestaram...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Crónica de mal-dizer - Língua e Escrita para todos...

O grande suporte para perpectuar a fragilidade   humana, é a língua.
Isto não invalida ou mesmo impede a possibilidade de que hajam  outras formas de vida capazes de comunicarem entre si,    formas essas igualmente eficazes.
Eles (animais) não têm    obrigação, ou se calhar o direito ou talvez  a necessidade, de aprenderem as nossas...E nós nunca conseguímos  penetrar nas  deles...Um desafio? Ou uma incapacidade como tantas?
Isto vem a respeito do famigerado acordo ortográfico, que os nossos intelectuais  (sábios ?), acabaram por engendrar...Acordar? Isto não sei ...Se calhar obrigaram-nos...É o braziliano a ganhar cada vez mais pontos...
Que eu saiba os ingleses nunca se preocuparam com os ccc nas  victórias  nem com os ph nas photos, pronunciando-os naturalmente, não como se escreve, mas como a tradição  gramatical e oral   determina, e a língua deles continua arranhando um universalismo que causa inveja...
Por mim vou continuar, (bem ou mal), como me ensinaram-, uma língua de que em tempos  me orgulhei-, mais ainda do que ser um humildérrimo macho lusitano, uma estranha e bizarra mistura de  latino e serraceno...
É que sempre pensei que a língua havia sido  a única obra que os portugueses criaram, maior do que os próprios descobrimentos, porque esses foram para engordar   países (amigos), que a seu tempo os rapinaram chamando-lhes  seus...
E isto, já que estamos falando de acordos, que é o mesmo que falar de escrever como se pronuncia o léxico de Camões,  certamente que nos irá dar  algum geito...Mas não tanto  como pensam. E que   vai  ser  tarefa fácil, a começar aqui pelos  arredores?
Nalguns casos, penso até que irá ser necessário recorrer a legendas no rodapé, tal como já   tem acontecido com alguma TV mais vanguardista...
Mas em que idioma? Só em Açorianês? Ou mais curiosa e concisamente, em sãmigalês: a simpática, universal e bem conhecida língua da terra onde vi a luz do dia pela primeira vez?...Ou nalgum outro  recanto menos visível da Beira Alta, Baixa ou Interior, onde os v v v são   b b b, e os esses, são xiiss, uma piada  sem  muita graça, bem sei,  mas que serve  para adicionar a outra, com  menos graça ainda,  a da crise com que tantos vão enchendo a boca...Uma crise, meus senhores,  mais de pessoas do que de coisas, obviamemnte  incluindo as malfadadas   económicas e financeiras...
Que me desculpem lá...Mas acho que os sábios (e já agora, porque não os políticos,  pelo menos alguns),  deveriam esforçar-se por aprender  melhor a  tabuada, ou deixar que o tempo os ajude...
Santa paciência...Ou não será: santa ignorância?!