Diz-se que Agostinho, alguém que a igreja entendeu mandar canonizar e "promover" a santo, afinal o seu grande e maior pensador, terá certa vez, junto a uma praia deserta, presenciado uma cena que lhe despertou alguma curiosidade, se não mesmo, intrigado: era uma criança, que ia e vinha do mar, com enorme afã, trazendo uma pequena vasilha e depositando o seu conteúdo numa pequena cova, que na praia com carinho fizera.
Agostinho não se coibira, como homem inteligente, culto e conselheiro que era, de lhe segredar:
- Então? Se é encher a cova de água, isso o que desejas, nunca o irás conseguir.
A criança bela e loira, de uma estranha formosura, interrompendo por instantes a sua tarefa, olhou-o demoradamente, olhos nos olhos, e apenas lhe disse:
- Estou fazendo, exactamente o que estás pensando.
Esta a forma encontrada e a resposta adequada, para muito do que nos rodeia, daquilo que no nosso histórico se vai passando, daquilo que encontramos no dia-a-dia, daquilo que nos parece estranho, misterioso, injusto, até falho de sentido.
Aquilo, que por mais que pensemos, meditemos, ou exigimos do nosso mais profundo e intimo pensamento, não conseguimos desvendar ou sequer entender. Chamam-lhe genericamente "mistério", uma forma simplista de o assinalar, afinal uma palavra que no léxico normal, serve para rotular tudo aquilo que não entendemos, não alcançamos, não conseguimos nem encontramos forma de decifrar e muito menos solucionar.
E os mistérios tomam "nuances", revestem-se de princípios e até cobrem-se de rótulos. Há os "santos mistérios", os quiçá mais "credíveis" e até famosos. E há os outros.
Todos deixando muitas dúvidas. Uns porque não têm cobertura cientifica. Outros produto de milhares de gerações, vividas na ignorância, na intimidação e no medo. Algumas, porque não são possíveis de abordar, admitindo até, que a mente humana é incapaz de o conseguir.
Estará nesse substrato, a origem da vida e "utilidade" da morte, a última a revelar-se um contrassenso, ou uma "estimável" aberração.
Viver para sempre ou até que necessário, útil, ou comummente desejável, deveria ser o trajeto comum e ideal da VIDA. O contrário é, em minha opinião, uma falência e um erro. Morrer, é, embora da Vida fazendo parte, é a grande falência para a maior magia que a Natureza alguma vez criou. Uma falência apenas substituída por outra - a memória-, esta mais efémera que agudiza ainda mais a necessidade de a reavivar, mas que não substitui a de reviver.
Uma necessidade dolorosa, porque também ela inerte e morta.
E o grande mistério continua sendo, porque se vive e pior ainda, porque se morre.
QUANDO AS LETRAS SÃO IMAGENS
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
domingo, 19 de novembro de 2017
O ÚLTIMO SORRISO
Toda a vida (e a vida toda), rabisquei, para jornais, livros, até revistas, ideias e pensamentos.
Escrevi e rabisquei em tudo e de tudo, naquilo em que se podia escrever ou "borrar" de tinta.
Falei e escrevi, (bem e mal), das pessoas e das coisas, em tempos difíceis e ocasiões menos "oportunas", que me tornaram a caminhada algumas vezes, mais íngreme e menos suave e atraente.
Tentei por esse facto, perceber e entender melhor a vida (a minha e a dos outros), aproveitando ou rejeitando, aquilo que ela e eles, podiam oferecer de bom ou de "menos mau", um lema que cultivo, sigo e sempre segui, aquele, em que há sempre algo aproveitável, em cada um que a este mundo vem ou é "atirado", mesmo que seja por obrigação ou "engano".
Fui até declarado algumas vezes, uma espécie de "marginal" e um solitário avulso, mas nunca, nem me senti só, nem sequer marginalizado, bem pelo contrário, sempre integrado na comunidade, embora criticando-a por dentro, quando necessário, sugerindo e apresentando caminhos e soluções, e mais do que tudo, fui um homem feliz, que fez e disse o que quis, por vezes até o que pôde ou aquilo que, advertida ou inadvertidamente deixaram.
Uma vida inteira "cheia" e simultaneamente "vazia", em que as esperanças, eventualmente falharam, mas nunca faltaram.
Mas, foi ao surgirem apenas dezassete anos para a centúria, que esbarrei, no maior, mais cruel, e mais difícil, escolho minha vida: a doença e morte da companheira, da mulher e esposa, confidente e amiga, Maria Antonieta de seu nome. E isto, porque foi ela provavelmente a pessoa que mais amei na vida. Que mais respeito me incutiu. Que mais me ajudou. Que me tornou a própria vida, um sonho bom. Que nunca me exigiu nada e que me deu tudo.
E foi numa vulgar mas fatídica madrugada, de uma sexta feira dia 8 de Setembro de 2017, pouco faltando para a seis da madrugada, que me chamaram do Hospital da Horta, a dizer que a noite correra mal para ela e se desejava vê-la...
Cheguei alguns minutos depois.
Abriu então os olhos, tão belos como os conheci 60 anos antes na primeira vez, olhou-me demoradamente num sorriso, como que a confirmar todo o nosso sonho de amor, e assim se ficou naquele sorriso que tanto havíamos partilhado vida fora, desta vez, num sorriso para sempre.
E eu deixei de sorrir...também para sempre
.
Escrevi e rabisquei em tudo e de tudo, naquilo em que se podia escrever ou "borrar" de tinta.
Falei e escrevi, (bem e mal), das pessoas e das coisas, em tempos difíceis e ocasiões menos "oportunas", que me tornaram a caminhada algumas vezes, mais íngreme e menos suave e atraente.
Tentei por esse facto, perceber e entender melhor a vida (a minha e a dos outros), aproveitando ou rejeitando, aquilo que ela e eles, podiam oferecer de bom ou de "menos mau", um lema que cultivo, sigo e sempre segui, aquele, em que há sempre algo aproveitável, em cada um que a este mundo vem ou é "atirado", mesmo que seja por obrigação ou "engano".
Fui até declarado algumas vezes, uma espécie de "marginal" e um solitário avulso, mas nunca, nem me senti só, nem sequer marginalizado, bem pelo contrário, sempre integrado na comunidade, embora criticando-a por dentro, quando necessário, sugerindo e apresentando caminhos e soluções, e mais do que tudo, fui um homem feliz, que fez e disse o que quis, por vezes até o que pôde ou aquilo que, advertida ou inadvertidamente deixaram.
Uma vida inteira "cheia" e simultaneamente "vazia", em que as esperanças, eventualmente falharam, mas nunca faltaram.
Mas, foi ao surgirem apenas dezassete anos para a centúria, que esbarrei, no maior, mais cruel, e mais difícil, escolho minha vida: a doença e morte da companheira, da mulher e esposa, confidente e amiga, Maria Antonieta de seu nome. E isto, porque foi ela provavelmente a pessoa que mais amei na vida. Que mais respeito me incutiu. Que mais me ajudou. Que me tornou a própria vida, um sonho bom. Que nunca me exigiu nada e que me deu tudo.
E foi numa vulgar mas fatídica madrugada, de uma sexta feira dia 8 de Setembro de 2017, pouco faltando para a seis da madrugada, que me chamaram do Hospital da Horta, a dizer que a noite correra mal para ela e se desejava vê-la...
Cheguei alguns minutos depois.
Abriu então os olhos, tão belos como os conheci 60 anos antes na primeira vez, olhou-me demoradamente num sorriso, como que a confirmar todo o nosso sonho de amor, e assim se ficou naquele sorriso que tanto havíamos partilhado vida fora, desta vez, num sorriso para sempre.
E eu deixei de sorrir...também para sempre
.
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
O Massacre da Comunicação Social
O "massacre" da comunicação social, em tudo o que seja notícia, é uma realidade comum neste país. Toda ela, anda em roda viva, à espera que aconteça. Que surja a tropelia, o incêndio, o acidente,o sismo, a calamidade, a graça e a desgraça. E levam dias seguidos até que surja outra " agitação", e até que aquela morra, e outra "tropelia" surja no horizonte Alimenta-se do caso, da ocasião, do acontecimento, do que correu menos mal ou menos bem, (em seu entender) por vezes até com contornos, que cheiram a política. Vive à sombra da graça e da desgraça. Tudo em nome da informação, da liberdade, (por vezes retirando-a, a seu jeito), querendo por vezes impor a sua visão e a sua opinião.
O resultado é "surpreendente": cansa as pessoas; satura-as; Faz com que fiquem fartas e cheias, da própria notícia, da própria realidade, afinal um mau serviço à sociedade.
Sempre fui alguém muito ligado à escrita, aos jornais. E por isso mesmo, é com mágoa, que toco neste assunto. Há excesso de "má" informação, na nossa comunicação, isto para não dizer, que muita dela, anda a reboque da política, do grupo, ou do sistema.
E a comunicação não pode nem deve ser isto.
Há pouco, ouvi esta "coisa", incrível dita na TV, por um sinistrado dos fogos, que arrasam e desgraçam este país: Deixem por favor, de estar permanentemente a "falar"ou a "exaltar", os acontecimentos com os fogos florestais. E eu acrescento, principalmente por parte da classe politica.
É que, dizia o tal sinistrado, "já não se pode ouvir..."
O resultado é "surpreendente": cansa as pessoas; satura-as; Faz com que fiquem fartas e cheias, da própria notícia, da própria realidade, afinal um mau serviço à sociedade.
Sempre fui alguém muito ligado à escrita, aos jornais. E por isso mesmo, é com mágoa, que toco neste assunto. Há excesso de "má" informação, na nossa comunicação, isto para não dizer, que muita dela, anda a reboque da política, do grupo, ou do sistema.
E a comunicação não pode nem deve ser isto.
Há pouco, ouvi esta "coisa", incrível dita na TV, por um sinistrado dos fogos, que arrasam e desgraçam este país: Deixem por favor, de estar permanentemente a "falar"ou a "exaltar", os acontecimentos com os fogos florestais. E eu acrescento, principalmente por parte da classe politica.
É que, dizia o tal sinistrado, "já não se pode ouvir..."
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
UM PAÍS DE FOGO E MORTE
Cada vez mais me apercebo e entendo, que a política é um misto de "sisuda" e às vezes "nefasta palhaçada", com contornos "maquiavélicos", e em que os seus protagonistas, vão dando "uma no cravo", outra na ferradura, tentando de qualquer jeito e maneira, alcançar o poder.
Assim é. Arranjam-se nomes; tiram-se conclusões; subvertem-se razões; queimam-se pessoas;
conotam-se situações; esquecem-se históricos, fala-se de responsabilidades, esquecendo o passado.
A incoerência e ás vezes a própria razão, são postas em causa, com uma ligeireza que causa assombro, até medo.
Será que o poder é assim uma "coisa" tão boa e tão má ao mesmo tempo? Porquê?
Veja-se por exemplo, o caso presente. Todos sabemos que o país está a atravessar um período, (em termos de destruição e incêndios), um dos piores dos últimos tempos (decénios) da sua história mais recente.
De quem é a culpa? Do governo actual?
Qual governo? Este? E os anteriores?
Isto de incêndios, é algo que sempre conheci, e para os cem, já nem me faltam muitos.
E a culpa, não será de quem não limpa matas, de quem lhes larga fogo, de quem ganha dinheiro (e muito), à conta disto? Dos que corporizam esta palhaçada, que não faz muito, lá estavam à frente de outros governos, com a agravante, de nos irem chupando dinheiro, enquanto que este vai tentando inverter esta situação e fazer alguma coisa de positivo?
E o Povo não tem a sua quota de culpabilidade, ao fazer queimadas por tudo e por nada e em tudo o que é sitio? Ao atear fogo por todos os lados? (Só com um polícia e um bombeiro em cada árvore)
Tadinhos! Não sabem que o fogo queima, mata, destrói? Que torna a vida um inferno a tudo e a todos? Que mata pessoas, animais, e o que mexe e remexe, até aquilo que não mexe, nem remexe.
Tudo isto é uma tristíssima situação, acompanhada de outra: uma tristíssima palhaçada política.
Que as pessoas percebam: fogo, nunca mais. Que se investigue quem ganha com isto, e se ajude sem limites, quem perde ou perdeu.
Quem ganha, o que ganha, e a intenção com que larga esse fogo?
E queira-se ou não, a solução, passa pela prevenção, pela educação, pela fiscalização.
E depois, pela coação, dura,
rigorosa.
Assim é. Arranjam-se nomes; tiram-se conclusões; subvertem-se razões; queimam-se pessoas;
conotam-se situações; esquecem-se históricos, fala-se de responsabilidades, esquecendo o passado.
A incoerência e ás vezes a própria razão, são postas em causa, com uma ligeireza que causa assombro, até medo.
Será que o poder é assim uma "coisa" tão boa e tão má ao mesmo tempo? Porquê?
Veja-se por exemplo, o caso presente. Todos sabemos que o país está a atravessar um período, (em termos de destruição e incêndios), um dos piores dos últimos tempos (decénios) da sua história mais recente.
De quem é a culpa? Do governo actual?
Qual governo? Este? E os anteriores?
Isto de incêndios, é algo que sempre conheci, e para os cem, já nem me faltam muitos.
E a culpa, não será de quem não limpa matas, de quem lhes larga fogo, de quem ganha dinheiro (e muito), à conta disto? Dos que corporizam esta palhaçada, que não faz muito, lá estavam à frente de outros governos, com a agravante, de nos irem chupando dinheiro, enquanto que este vai tentando inverter esta situação e fazer alguma coisa de positivo?
E o Povo não tem a sua quota de culpabilidade, ao fazer queimadas por tudo e por nada e em tudo o que é sitio? Ao atear fogo por todos os lados? (Só com um polícia e um bombeiro em cada árvore)
Tadinhos! Não sabem que o fogo queima, mata, destrói? Que torna a vida um inferno a tudo e a todos? Que mata pessoas, animais, e o que mexe e remexe, até aquilo que não mexe, nem remexe.
Tudo isto é uma tristíssima situação, acompanhada de outra: uma tristíssima palhaçada política.
Que as pessoas percebam: fogo, nunca mais. Que se investigue quem ganha com isto, e se ajude sem limites, quem perde ou perdeu.
Quem ganha, o que ganha, e a intenção com que larga esse fogo?
E queira-se ou não, a solução, passa pela prevenção, pela educação, pela fiscalização.
E depois, pela coação, dura,
rigorosa.
domingo, 15 de outubro de 2017
JULGAR SEM SER JULGADO
O que se passa neste país, (sem querer enaltecer ou minimizar a sua eficácia e/ou o seu alcance, refiro-me obviamente à justiça), dá no mínimo para reflectir.
E mesmo sem querer apontar nomes ou pessoas, vejo que nem sempre (ou mesmo raramente) há consonância nas decisões ou nas conclusões de opinião, (o que pode ser positivo ou pelo contrário), quanto a muito do que se passa e pior do que isso: há uma espécie de "deficit" democrático, em relação à opinião colectiva, de muito do que vai acontecendo, isto quando se tenta entender aquilo que se chama justiça, (naturalmente a dos homens, já que a outra é mais complicada, mas também ela a merecer um apontamento), já que nem sempre nos "agrada" de todo.
E sem querer citar pessoas ou nomes, como atrás referi, dou o exemplo de Isaltino Morais, que depois de passar pela cadeia alguns anos, continuou a manter a confiança do seu eleitorado, como político e como homem, isto a querer dizer, que é alguém mais "válido" do que a maioria dos portugueses que o criticaram e rodeiam
Tudo isto vem a respeito do ex primeiro ministro, José Sócrates.
Pode eventualmente não se gostar do seu estilo (a sua desgraça), mas, em minha opinião, foi um bom estadista, e um bom parlamentar, homem de palavra certa, na altura certa, sem titubeações, sem medos e receios, aquele homem que depois do 25 de Abril congregou mais poder e mais força e até mais simpatia popular, e que desafiou tudo e todos e que foi, apesar do terrível período em que governou e pelas imensas afrontas que passou, (crises internacionais nunca dantes vistas e ocorridas, uma campanha feroz da oposição, por vezes a rondar o desonesto) principalmente a financeira e a partir dos Estados Unidos, uma oposição impiedosa e cerrada, tentando o alcance do poder, de uma direita que acabou por desarticular todo o equilíbrio do país, em termos organizativos, quer de sistema económico, quer de sua própria riqueza autóctone. Veja-se o caso das privatizações.Até os CTT COM MUITAS CENTENAS DE ANOS DE "BOM", AO SERVIÇO DO ESTADO, e que sempre deu lucros fabulosos, não escapou à gula das privatizações
Sócrates, foi em minha opinião, o homem que desafiou o "indesafiável":
À justiça, cortou-lhes os privilégios; ao Alberto João da Madeira, os orçamentos regionais que eram iguais (um arquipélago com duas ilhas - a Madeira, recebia o mesmo do que um outro, com nove - os Açores-, algo que se intrometia pelos olhos dentro, mas que nunca ninguém deu por isso). A própria Ferreira Leite aventou a hipótese de fazer coligação com o PS, mas com a única condição, de não incluir o José Sócrates.
Afinal, e melhor pensando, tudo uma questão de birra e de estilo. Daí fazerem tudo e mais alguma coisa, para o deitar abaixo.Os políticos e a comunicação social temiam-no. Era alguém que tinha de ir abaixo. E assim foi.
E essa perseguição continuou e continua.
Em minha opinião, o Sócrates foi um "senhor" da política contemporânea, quer se goste ou não dele. Homem sem medo, que defendeu princípios: era totalmente contra as privatizações. Não sei como vêm com esta, de que estava (feito) com os empresários e banqueiros. Ele próprio tentou salvaguardar a PT, com a chamada "golden share", algo que no governo seguinte, foi logo e apressadamente eliminado. É uma história mal contada.
Em resumo. Sócrates, nas super difíceis condições que governou, foi um bom Primeiro Ministro, um grande parlamentar, um desafiador nato da comunicação social, que o odiava e temia, (e em que "se privilegia" o sensacionalismo e até em alguma, a mentira), já que não teve nunca, nem jornalistas, nem comentadores à sua altura, e isto ganhou-lhe ódios que acabaram por conseguir o seu desiderato: queimá-lo vivo e destruí-lo, o que, e melhor pensando, não acredito de todo.
Tudo isto está a tornar-se demasiado estranho. Demasiado politizado para o meu gosto.
E a destruição de uma, duas, ou um milhar de pessoas em em hasta publica, não me agrada, nem nunca me agradou. E a "raivinha" ou a "dentadinha", mesmo quando subtil, também não.
Vamos aos factos. O homem já apanhou, (e isto em democracia), um ano de cadeia sem culpa formada. Já lá vão quatro anos de inferno e ainda nem se sabe muito bem o que aconteceu e o que vai acontecer. Só se sabe que o homem foi trucidado.
A justiça é ou deve ser cega? Mas para o bem e não para o contrário.
Vamos fazer um julgamento honesto, sem folclore.
Antes de mais. Vamos lá saber, a quem faltou o dinheiro, se alguém se queixou, e se ele o roubou? Só ou acompanhado?
E mais. Se é o único, neste Portugal afonsino, a cometer falcatruas?
E mesmo sem querer apontar nomes ou pessoas, vejo que nem sempre (ou mesmo raramente) há consonância nas decisões ou nas conclusões de opinião, (o que pode ser positivo ou pelo contrário), quanto a muito do que se passa e pior do que isso: há uma espécie de "deficit" democrático, em relação à opinião colectiva, de muito do que vai acontecendo, isto quando se tenta entender aquilo que se chama justiça, (naturalmente a dos homens, já que a outra é mais complicada, mas também ela a merecer um apontamento), já que nem sempre nos "agrada" de todo.
E sem querer citar pessoas ou nomes, como atrás referi, dou o exemplo de Isaltino Morais, que depois de passar pela cadeia alguns anos, continuou a manter a confiança do seu eleitorado, como político e como homem, isto a querer dizer, que é alguém mais "válido" do que a maioria dos portugueses que o criticaram e rodeiam
Tudo isto vem a respeito do ex primeiro ministro, José Sócrates.
Pode eventualmente não se gostar do seu estilo (a sua desgraça), mas, em minha opinião, foi um bom estadista, e um bom parlamentar, homem de palavra certa, na altura certa, sem titubeações, sem medos e receios, aquele homem que depois do 25 de Abril congregou mais poder e mais força e até mais simpatia popular, e que desafiou tudo e todos e que foi, apesar do terrível período em que governou e pelas imensas afrontas que passou, (crises internacionais nunca dantes vistas e ocorridas, uma campanha feroz da oposição, por vezes a rondar o desonesto) principalmente a financeira e a partir dos Estados Unidos, uma oposição impiedosa e cerrada, tentando o alcance do poder, de uma direita que acabou por desarticular todo o equilíbrio do país, em termos organizativos, quer de sistema económico, quer de sua própria riqueza autóctone. Veja-se o caso das privatizações.Até os CTT COM MUITAS CENTENAS DE ANOS DE "BOM", AO SERVIÇO DO ESTADO, e que sempre deu lucros fabulosos, não escapou à gula das privatizações
Sócrates, foi em minha opinião, o homem que desafiou o "indesafiável":
À justiça, cortou-lhes os privilégios; ao Alberto João da Madeira, os orçamentos regionais que eram iguais (um arquipélago com duas ilhas - a Madeira, recebia o mesmo do que um outro, com nove - os Açores-, algo que se intrometia pelos olhos dentro, mas que nunca ninguém deu por isso). A própria Ferreira Leite aventou a hipótese de fazer coligação com o PS, mas com a única condição, de não incluir o José Sócrates.
Afinal, e melhor pensando, tudo uma questão de birra e de estilo. Daí fazerem tudo e mais alguma coisa, para o deitar abaixo.Os políticos e a comunicação social temiam-no. Era alguém que tinha de ir abaixo. E assim foi.
E essa perseguição continuou e continua.
Em minha opinião, o Sócrates foi um "senhor" da política contemporânea, quer se goste ou não dele. Homem sem medo, que defendeu princípios: era totalmente contra as privatizações. Não sei como vêm com esta, de que estava (feito) com os empresários e banqueiros. Ele próprio tentou salvaguardar a PT, com a chamada "golden share", algo que no governo seguinte, foi logo e apressadamente eliminado. É uma história mal contada.
Em resumo. Sócrates, nas super difíceis condições que governou, foi um bom Primeiro Ministro, um grande parlamentar, um desafiador nato da comunicação social, que o odiava e temia, (e em que "se privilegia" o sensacionalismo e até em alguma, a mentira), já que não teve nunca, nem jornalistas, nem comentadores à sua altura, e isto ganhou-lhe ódios que acabaram por conseguir o seu desiderato: queimá-lo vivo e destruí-lo, o que, e melhor pensando, não acredito de todo.
Tudo isto está a tornar-se demasiado estranho. Demasiado politizado para o meu gosto.
E a destruição de uma, duas, ou um milhar de pessoas em em hasta publica, não me agrada, nem nunca me agradou. E a "raivinha" ou a "dentadinha", mesmo quando subtil, também não.
Vamos aos factos. O homem já apanhou, (e isto em democracia), um ano de cadeia sem culpa formada. Já lá vão quatro anos de inferno e ainda nem se sabe muito bem o que aconteceu e o que vai acontecer. Só se sabe que o homem foi trucidado.
A justiça é ou deve ser cega? Mas para o bem e não para o contrário.
Vamos fazer um julgamento honesto, sem folclore.
Antes de mais. Vamos lá saber, a quem faltou o dinheiro, se alguém se queixou, e se ele o roubou? Só ou acompanhado?
E mais. Se é o único, neste Portugal afonsino, a cometer falcatruas?
domingo, 24 de setembro de 2017
Hoje terei passado por um dos mais tristes momentos da minha vida.
Tentei encontrar conforto naquilo que há muito não conseguia - na celebração de uma eucaristia (missa), na igreja das Angústias, igreja que minha saudosa mulher, frequentava assiduamente.
Foi-me impedido durante três anos, de o fazer, dada a incapacidade a que chegara: era uma crente e uma praticante rigorosa.
Uma tristeza e uma saudade imensa, invadiram-me a alma, ao recordar os 57 anos que separavam o que naquele altar acontecera: o nosso casamento.Tal como agora e à mesma hora, num domingo 24 de Setembro mas de 1961, eu e ela ali estávamos, provávelmente no dia mais feliz das nossas vidas.
E recordei o velhinho Mons. Medeiros, que Deus já lá tem, na sua melodiosa prédica de aconselhamento e união. E recordei a voz do orgão, "tangido" pelas mãos hábeis do prof. Barreiros, numa aleluia de Gounot. E recordei os amigos. Os acompanhantes e que eram muitos. Todo o séquito, os pais da noiva felizes tal como ela. E rebobinei toda a alegre magia daquele acto, todo o alcance infindo daquele sonho, todo todo o seu doce simbolismo.
E uma tristeza imensa invadiu-me ainda mais. Apenas quinze dias antes, ainda estava viva. E agora já não estava. Partira para não mais voltar. Para não mais se recordar da felicidade daquele e de outros momentos que aconteceram ao longo da nossa vida
E olhei em redor e enconteri-me desamparado, triste e só. Tinha deixado tudo por ela e ela fugira para tão longe e para sempre.
Queria vê-la. Mas não consegui.
Tentei encontrar conforto naquilo que há muito não conseguia - na celebração de uma eucaristia (missa), na igreja das Angústias, igreja que minha saudosa mulher, frequentava assiduamente.
Foi-me impedido durante três anos, de o fazer, dada a incapacidade a que chegara: era uma crente e uma praticante rigorosa.
Uma tristeza e uma saudade imensa, invadiram-me a alma, ao recordar os 57 anos que separavam o que naquele altar acontecera: o nosso casamento.Tal como agora e à mesma hora, num domingo 24 de Setembro mas de 1961, eu e ela ali estávamos, provávelmente no dia mais feliz das nossas vidas.
E recordei o velhinho Mons. Medeiros, que Deus já lá tem, na sua melodiosa prédica de aconselhamento e união. E recordei a voz do orgão, "tangido" pelas mãos hábeis do prof. Barreiros, numa aleluia de Gounot. E recordei os amigos. Os acompanhantes e que eram muitos. Todo o séquito, os pais da noiva felizes tal como ela. E rebobinei toda a alegre magia daquele acto, todo o alcance infindo daquele sonho, todo todo o seu doce simbolismo.
E uma tristeza imensa invadiu-me ainda mais. Apenas quinze dias antes, ainda estava viva. E agora já não estava. Partira para não mais voltar. Para não mais se recordar da felicidade daquele e de outros momentos que aconteceram ao longo da nossa vida
E olhei em redor e enconteri-me desamparado, triste e só. Tinha deixado tudo por ela e ela fugira para tão longe e para sempre.
Queria vê-la. Mas não consegui.
terça-feira, 19 de setembro de 2017
ABANDONADOS OS DOENTES DE PARKINSON? QUE FAZER?
Os últinos vinte anos da minha vida, foram passados ao lado de minha mulher, (a mulher da minha vida), portadora de um doença neurológhica, a chamada Doença ou Sídrome de Parkinson.
Não vou dizer o que é, ou o que foi essa experiência, porque não iriam acreditar. Eu próprio o diria, se mo perguntassem. Quedas diárias, algumas bastante graves; não dormir durante longas noites e durante anos, ter de "ajeitar" corpo, lençóis e cobertores, ou mudá-los simplesmente. Não comer ou comer aos sobressaltos. Vestir, despir, colocar na cama, mudar fraldas. Dar banho, hidratar continuamente tudo o que se revestisse de pele. Pôr as refeições na boca (enquanto é ou foi possível), e por fim, nem a boca se abre do doente para as receber. Ter de acudir às "necessidades" primárias. Ter de interromper o banho, para socorrer o doente que ameça estatelar-se no chão, quando se suponha já estar já dormindo. Superar a imensa dificuldade em administar medicamentos, (uma panóplia, que vai de carbidopa, a levadopa, passando por amandatina e um outro sem número de drogas, altamente tóxicas e nocivas para os orgãos, rins, fígado, etc.) que vão aumentando à medida que a degeneração avança (a doença de Parkinson é uma doença degenarativa). A despersonalização e o desinteresse pelo ambiente que rodeia o doente, vai tomando conta do cérebro e surge a demência, e o sofrimento constante, os gemidos, a dor lancinante e constante, proveniente dos inúmeros acidentes (pernas partidas, depois paralisadas, escoriações e contusões, etc). As noites são longas e sem fim, e a agitação, sobretudo de pernas e corpo, dão um desgaste impossível de descrever.A par de tudo isso, o epítete de doença incurável e degenarativa, vai minando negativamente todos os que rodeiam o doente e ele próprio.
Existem apenas"paliativos , que são administrados com a regularidade possível (chegam a ser tomados de hora a hora em doses reduzidas) mas ao fim de um tempo, deixam de responder ou seja, deixam de fazer qualquer efeito.
A incapacidade, torna-se total sobretudo quando existe o chamado estado (OFF). Sabe-se que vive apenas , porque respira.
A medicina não consegue, nem entender, nem responder. O pessoal de saúde, enfermeiros sobretudo, até médicos da própria especialidade, dão em"fugir", como o "diabo da cruz" e fazem pequenas crueldades como amarrar pulsos e braços, quando a "coisa" dá para o torto, já que a agitação pode eventualmente ser imensa. É uma forma cruel de "descalçar" a bota. Aí havia muito a falar...e a responsabilizar, até porque se trata de uma doença em que o carinho e a compreensão, fazem parte da atenuação dos sintomas, única acção possível e concretizável
Tudo porque a área da saúde desconhece total e completamente a doença, mesmo nos dias que vão correndo.E o pior: Muita ignorância, gera muita certeza. Ninguém consegue "entrar" nessa maldita doença. Lembra-nos a Lepra de outros tempos.Podemos mesmo dizer, que esta e o Alzheimer é a Lepra dos dias vão correndo e dos tempos mais modernos.
Por fim, há o reflexo dos milhares de comprimidos tomados no dia-a-dia: aaí, falham os rins, o fígado, o coração, o estômago, os orgãos vitais. E morre-se finalmente depois de tanto sofrimento: às vezes, anos de sofrimento.
Entretando o longo percurso da dor, do desalento, vai sendo "rendilhado" de revolta, da visão das recordações do passado, da interrogação de "morrer? Quando? E de outra: para quê viver...?
E ainda de outra: é uma doença rara?Ainda é, mas está deixando de ser. Pensa-se que daqui por vinte anos, não será. Hoje são vinte ou trinta milhões, Dentro de dez ou vinte anos, triplicará.
Até lá, (pelo menos por estes lados, Açores em em Porugal, em que a saúde nessa área, não é levada muito a sério), vão-se abandonando os doentes de Parkinson, apenas (e de quando em vez) lançando-lhe o epítete de "coitado".
Há dinheiro para tanta coisa. Para dar, roubar e vender, e não há para isto?
É caso para perguntar, se as doenças crónicas, incapacitantes, que dão muito dinheiro, devem ser "acauteladas" para que não haja mais crise?
Aqui fica a pergunta
A realidade é que os doentes de Parkinson estão abandonados ao seu terrível destino- morrer em dor e desalento, mal acompanhados, mal compreendidos, mal apoiados, sofrendo terrivelmente cada minuto que passa, sem quaisquer apoios e sem indicios ou prespectivas, quer de alivio dos sintomas, quer da cura almejada que não se divisa e chega
.
Esse desinteresse, e/ou essa falta de compreensão, essee fracasso e essa lacuna brutal por parte das instituições e entidades ligadas às plíticas da saúde, à própria mentalidade que se alcandorou nos próprios profissionais, deixam um sarro amargo vindo de outras eras, tempos em que a lepra, que quando detecatada punha o homo sapiens a fugir a toda a força.E mais, o ruir de toda uma ciência, que se chama medicina, que vai evoluindo mas muito pouco, com escolhos bem visíveis e evidentes
Não vou dizer o que é, ou o que foi essa experiência, porque não iriam acreditar. Eu próprio o diria, se mo perguntassem. Quedas diárias, algumas bastante graves; não dormir durante longas noites e durante anos, ter de "ajeitar" corpo, lençóis e cobertores, ou mudá-los simplesmente. Não comer ou comer aos sobressaltos. Vestir, despir, colocar na cama, mudar fraldas. Dar banho, hidratar continuamente tudo o que se revestisse de pele. Pôr as refeições na boca (enquanto é ou foi possível), e por fim, nem a boca se abre do doente para as receber. Ter de acudir às "necessidades" primárias. Ter de interromper o banho, para socorrer o doente que ameça estatelar-se no chão, quando se suponha já estar já dormindo. Superar a imensa dificuldade em administar medicamentos, (uma panóplia, que vai de carbidopa, a levadopa, passando por amandatina e um outro sem número de drogas, altamente tóxicas e nocivas para os orgãos, rins, fígado, etc.) que vão aumentando à medida que a degeneração avança (a doença de Parkinson é uma doença degenarativa). A despersonalização e o desinteresse pelo ambiente que rodeia o doente, vai tomando conta do cérebro e surge a demência, e o sofrimento constante, os gemidos, a dor lancinante e constante, proveniente dos inúmeros acidentes (pernas partidas, depois paralisadas, escoriações e contusões, etc). As noites são longas e sem fim, e a agitação, sobretudo de pernas e corpo, dão um desgaste impossível de descrever.A par de tudo isso, o epítete de doença incurável e degenarativa, vai minando negativamente todos os que rodeiam o doente e ele próprio.
Existem apenas"paliativos , que são administrados com a regularidade possível (chegam a ser tomados de hora a hora em doses reduzidas) mas ao fim de um tempo, deixam de responder ou seja, deixam de fazer qualquer efeito.
A incapacidade, torna-se total sobretudo quando existe o chamado estado (OFF). Sabe-se que vive apenas , porque respira.
A medicina não consegue, nem entender, nem responder. O pessoal de saúde, enfermeiros sobretudo, até médicos da própria especialidade, dão em"fugir", como o "diabo da cruz" e fazem pequenas crueldades como amarrar pulsos e braços, quando a "coisa" dá para o torto, já que a agitação pode eventualmente ser imensa. É uma forma cruel de "descalçar" a bota. Aí havia muito a falar...e a responsabilizar, até porque se trata de uma doença em que o carinho e a compreensão, fazem parte da atenuação dos sintomas, única acção possível e concretizável
Tudo porque a área da saúde desconhece total e completamente a doença, mesmo nos dias que vão correndo.E o pior: Muita ignorância, gera muita certeza. Ninguém consegue "entrar" nessa maldita doença. Lembra-nos a Lepra de outros tempos.Podemos mesmo dizer, que esta e o Alzheimer é a Lepra dos dias vão correndo e dos tempos mais modernos.
Por fim, há o reflexo dos milhares de comprimidos tomados no dia-a-dia: aaí, falham os rins, o fígado, o coração, o estômago, os orgãos vitais. E morre-se finalmente depois de tanto sofrimento: às vezes, anos de sofrimento.
Entretando o longo percurso da dor, do desalento, vai sendo "rendilhado" de revolta, da visão das recordações do passado, da interrogação de "morrer? Quando? E de outra: para quê viver...?
E ainda de outra: é uma doença rara?Ainda é, mas está deixando de ser. Pensa-se que daqui por vinte anos, não será. Hoje são vinte ou trinta milhões, Dentro de dez ou vinte anos, triplicará.
Até lá, (pelo menos por estes lados, Açores em em Porugal, em que a saúde nessa área, não é levada muito a sério), vão-se abandonando os doentes de Parkinson, apenas (e de quando em vez) lançando-lhe o epítete de "coitado".
Há dinheiro para tanta coisa. Para dar, roubar e vender, e não há para isto?
É caso para perguntar, se as doenças crónicas, incapacitantes, que dão muito dinheiro, devem ser "acauteladas" para que não haja mais crise?
Aqui fica a pergunta
A realidade é que os doentes de Parkinson estão abandonados ao seu terrível destino- morrer em dor e desalento, mal acompanhados, mal compreendidos, mal apoiados, sofrendo terrivelmente cada minuto que passa, sem quaisquer apoios e sem indicios ou prespectivas, quer de alivio dos sintomas, quer da cura almejada que não se divisa e chega
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Esse desinteresse, e/ou essa falta de compreensão, essee fracasso e essa lacuna brutal por parte das instituições e entidades ligadas às plíticas da saúde, à própria mentalidade que se alcandorou nos próprios profissionais, deixam um sarro amargo vindo de outras eras, tempos em que a lepra, que quando detecatada punha o homo sapiens a fugir a toda a força.E mais, o ruir de toda uma ciência, que se chama medicina, que vai evoluindo mas muito pouco, com escolhos bem visíveis e evidentes
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