sexta-feira, 27 de julho de 2018

A FALTA

Hoje, era dia de anos nesta casa. A minha companheira, Maria Antonieta, fazia os seus anitos. Sempre acompanhados de uma festazinha. Singela e simples, mas com muito significado, porque levava mais de meio século de história.
Acabou a festa e quem a fazia, o ser humano que mais amei na vida.
E de certo modo, também a vida acabou e isto porque com a perda dela, perdi também tudo - o futuro e a vontade de continuar, vivo.



quinta-feira, 26 de julho de 2018

A REPORTAGEM da TVI

Pessoalmente nunca "morri de amores" por denuncias,venham elas  de onde vierem,   sobretudo quando  são despuduradamente anónimas.
Mas não deixo de entender, que denunciar o que está mal ou o que é criminoso, merece ou deve merecer  o nosso apoio e  respeito.  Isto surge a propósito da reportagem da TVI 24 sobre os serviços prestados pela Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada e também da de Angra.
É algo que impressiona, mas pela  negativa.  Falhas e carências de toda a ordem. Maus tratos. Pouca compaixão e muito desamor. Uma espécie de depósitos humanos a cumprir um destino. Até não faltava, uma sala  (vejam só), para morrer, antecipando e justificando aquele derradeiro e  tristíssimo acto. Uma reportagem que dá muito que pensar. No muito que se faz e vai fazendo por este mundo,  e que ninguém sabe, nem sonha.
Seres humanos tratados quase como lixo. E à revelia de algum sigilo, vamos sabendo e tomando conhecimento, de que ser velho, é uma fatalidade, um peso, um fardo,uma "chatice" e algo a descartar; depressa. E algumas das praticas lá evidenciadas, já as vi pessoalmente, até em hospitais  credenciados (?) da Região, como aquela de amarrar   os pulsos à cama, uma espécie de crucificação a olho nu e à vista de todos, mesmo da família. Algo que para além de desumano, é altamente condenado e condenável  e mais do que isso:  altamente proibido, mas continuam fazendo, arranjando  "justificações",como  o não cair da cama, o não retirar as seringas, as máscaras, etc. afinal uma justificação esfarrapada, que nada justifica, porque há soluções mesmo para esses  casos.
Aqueles serviços têm o "beneplácito" e o suporte da tutela da saúde, o que mais agrava a situação.
É uma reportagem que fica na memória, pela sua "frontalidade" e também oportunidade, e isto, porque acidentalmente feita, no dia consagrado aos avós.
Bem haja o jornalista que a fez. Os meus parabéns e agradecimentos.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Uma passagem de olhos por este inicio de século, leva-nos a constatar, que a  grande maioria dos valores porque nos pautávamos,  foi-se alterando e que o que era considerado razoável e de bom senso,  tornou-se se caduco e mau gosto. isto para dizer, entre outras coisas, por exemplo, que o que era bonito ontem, hoje eh tido  como ridículo. O que era normal,  hoje eh excentricidade. Ha claramente uma inversao de valores . Idade eh caduquice. Habilidade pode confundir-se com  inteligência.  A mentira eh algo constante e continua, e dita duas vezes, torna-se  verdade. Rouba-se e sonega-se das formas e maneiras mais sofisticadas: nos seguros; nos contractos, em tudo o que se presupoe responsabilidade e seriedade.
Os tribunais e a justiça, funcionam ao "relenti" ou a "meio gaz", dando por vezes explicaçoes "que a razao nao entende" ou que o "deja vue" eh a unica e melhor forma de soluçao e a conciliação possível.
A Democracia de que todos se socorrem eh quase como um Deus vivo, mesmo aqueles que a  conspurcam, aviltam e  desprezam,
vai aos poucos tornando-se numa  ditadura, com contornos de loucura.
Nem eh por acaso que sao eleitos  por  sufrágio  directo e universal,  personalidades que nao inspiram minimamente a garantia de que a liberdade nunca seja  posta em  causa. desde a naçao mais poderosa da Terra, ao dirigente insignificante do clube de futebol.
Estamos criando e alimentando, o espaço da loucura, apesar dos desafios  imensos que se poem ah mente humana. Estamos a perder a corrida aos saberes e ah felicidade.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Na Democracia ` portuguesa

Na Democracia portuguesa (ou ´a portuguesa), os políticos quando morrem, (se ´e que morrem e quando morrem), sao todos de  excelência: como políticos, como seres humanos, talvez e ate por isso, o caso do João Semedo,  se calhar, gostando-se ou nao, reveste-se de alguma diferença.
Num mundo louco, de egoísmos e corrupções varias e variadas, o Semedo foi um idealista, que entendia que o bem era preciso ser praticado. E eu, que me fui tornando avesso a certo tipo de políticos, acabei concordando com algumas (muitas) das suas teses.
A Morte execranda , de quem ele era em primeira mao adversário e inimigo, levou-o (era medico).
E muito embora nao comungando cabalmente da sua visao ou  cosmovisao  politica, (felizmente temos direito a diferença, mesma que ela nem seja assim tanta), aqui, e repito, fica o meu tributo e o meu profundo respeito pelo que pensou ou fez para
bem das pessoas.


domingo, 15 de julho de 2018

UMA HISTÓRIA POR CONTAR

Como mero contador de histórias, sou levado a pensar, que a vida é uma simples  história por contar. Ou uma  história simples, mal contada, sem lhe ser assegurada uma finalidade, e uma contribuição tácita para tal.
Entre magia, utopia, sonho e realidade, ela (a vida), é o tempo que passa e o que passou, o que há-de vir, e não veio, a realidade e o mito, recriados a partir do Nada.
É o amor que se viveu e que se perdeu. O que existiu e não vai existir mais. A saudade e a dor, que se  avolumam e crescem, sem parar e sem passar.
É o tudo e o nada, que o tempo  construiu e  destruiu. É o agora e o antes, o que virá e será, e o que não chegou e chegará nunca.
É a história nunca começada e nunca acabada. É o fim  e o principio, sem ter principio e sem ter fim. É a macabra morte a destruir, aquilo que nunca chegou a ser - a vida.




terça-feira, 3 de julho de 2018

Ó COSTA NÃO PROMETAS O QUE NÂO PODES DAR...

AS 35 HORAS SEMANAIS
De todos estes governos, que têm governado ultimamente Portugal, este, o  do António Costa, (mais um Costa, na grande gesta lusitana da politica), tem sido seguramente o menos mau, embora, volta-não-volta, vá dando sorrateiramente,  uma no cravo, outra na ferradura como convém, por vezes, até, duas no cravo e uma ou outra escorregadela momumental. E uma delas, é nitidamente as 35 horas de "trabalho" na função publica, medida naturalmente com  a intenção de a tornar comum a todas a outras áreas da atividade do país o que ainda não acontece e é o mal. Condenámos isto logo de inicio, porque entendemos que é e ainda a força do trabalho a única capaz de levar isto para a frente, no tipo de sociedade que, (feliz ou talvez infelizmente, adotamos), -  a de consumo). E mais do que isso - o país  não está ainda com capacidade e equilíbrio financeiro para suportar essa e até outras medidas meio populistas.
Discordamos logo de inicio. precisamos é de ganhar mais, trabalhando mais, porque não é possível trabalhar menos e ganhar mais. Em matéria económica não há milagres. Há produção e concorrência. Goste-se ou não, isto para os sindicatos entenderem.
E quem escreve estas linhas, foi mais de vinte anos dirigente sindical. Trabalhou sempre na sua atividade, no mínimo, 48 horas semanais, quando a função dita publica, já andava nas 35. E em laboração continua, 54 horas porque ao domingo se trabalhava. E isto nunca obstaculizou a que nas escassas horas de "folga", a que as "batatinhas redondinhas", lhe passassem pela unha  e a enxadinha da ordem de cabo curto, para que o dorso não o se esticasse muito, ao mesmo tempo borrando  jornais, livros e tudo o mais que o papel autorizasse, numa altura em que era proibido e dava securas na língua, e que uma vida cheia de entusiasmo e luta, quiçá perdido, era oferecida aos menos favorecidos.
Nunca fui homem de direita, no que se refere àquela que entende, que uns devem trabalhar duro e outros descansar. Que uns são os bons, o cérebro, a redenção e os outros a "maralhau". Mas quando se pensa em igualdade democrática, e se arranja trinta e cinco horas para uns e quarenta ou cinquenta para outros, sem sequer  se  deduzir do esforço, ou da incomodidade das próprias tarefas é no mínimo mau e ridículo, não direi antidemocrático porque a própria palavra tornou-se numa falacia..
Enquanto dirigente sindical representando-me e os trabalhadores, dizia muitas vezes: " rapazes: não vamos puxar muito pelas cordas, para não ficarmos sem emprego. É que patrão falido, não é dinheiro em caixa.
E o pior de tudo isto, é que vemos gente que nunca fez nada, a falar de trabalho.
Quando vejo, por exemplo, sindicatos permanentemente em greve, assusto-me. Primeiro, porque  não pensam nos outros, parentes mais pobres que comem da mesma mesa - que é o Estado. Depois, fazem todo este estradalhço, mesmo sendo dos mais bem pagos da Europa.
Caso para dizer : vão para o inferno.
Ó Costa abre o olho com essas alianças...e com essas crianças.






sábado, 23 de junho de 2018

JÁ FOI A MAIOR "PEQUENA", CIDADE DO MUNDO

Referimos-nos ao Faial, (e à Horta,  em particular), algo que vem, de há uns anos a esta parte, denunciando uma fragilidade e uma pequenez, no seio do espaço açoriano,  que confrange,  doe e até magoa. ´
É o assumir de algo, para que nunca foi  minimamente vocacionado, quer devido às suas gentes, quer devido às condições naturais que o bafejaram. Era mesmo, segundo o  poeta florentino, Pedro da Silveira,  séculos XVIII e XIX e princípios do XX, "...a maior,  mais desenvolvida pequena cidade do mundo".
De uma "florescente", porque não dizer, "auspiciosa e prometedora" Autonomia, quiçá nascida pela mão de Aristides Moreira da Motta, de Montalverne de Sequeira e de outros ilustres cidadãos ali da ilha de São Miguel, tornou-se numa autonomia "caprichosa , "  quiça capciosa", produto do  "uma no  cravo, outra na ferradura" como convém, numa região  eivada de bairrismos bacocos , antigos e serôdios,  bem longe daquilo que se esperava para algumas destas  desafortunadas ilhas.
Afinal e melhor pensando, o Faial é, neste momento, uma dessas ilhas. Mártir por natureza, Os sismos e os terramotos, nunca a deixaram em sossego, desde que em quinhentos a reencontraram ou re-acharam, colhendo  o nome assaz bizarro, de ilha da Ventura (leia-se Felicidade), final o que poderia ter sido  e nunca foi, que o diga  o primeiro donatário, um tal Josse Hurtere, flamengo ilustre,  que por aqui apareceu com outros fidalgotes desempregados e sem  "pés de meia", numa altura em que Flandres e toda a Europa, andava em ebulição, tal como o que agora vem acontecendo com  os povos do Médio Oriente, uma espécie de historia "a repetir-se" de forma diferente e também trágica.
Mas falar do Faial, é falar de uma ilha se calhar até pequena, mas e apenas, em dimensão espacial, mas de "alma muito grande".
Muito bela em paisagens. Muito produtiva e  solo muito fértil. A melhor de todo o arquipélago em acessos por mar, costas muito acessíveis, belas praias. Centro internacional de ligação com o mundo já que bafejada pela geografia,  foi e continua,  sendo um capricho autêntico dela própria, e algo que ninguém se atreve a negar.
Tornou-se cidade, não por "capricho" politico, mas por  mérito próprio, arrecadado atraves do seu  inquestionável apoio  ao desenvolvimento e ao conhecimento do mundo.
Em determinada altura, era mesmo a principal, mais  cosmopolita  e mais desenvolvida cidade do arquipélago. Não só em comercio, como em cultura. Era a "mais pequena, maior cidade do Mundo", assim o diz  o escritor e poeta florentino, Pedro da Silveira que por aqui andou. Assim o diz Nemésio enquanto também por aqui andou. Assim digo eu, enquanto por aqui andar.
Sede de Distrito durante dois séculos. Principal porto de apoio à navegação internacional durante os seus longos quinhentos anos. India e Brasil, estavam nas suas rotas, nas idas e nos retornos. Entidades consulares das mais conhecidos e desenvolvidas nações europeias e do mundo de então. O primeiro consulado americano nos Açores. Era vulgar ouvir-se falar  pelas ruas da cidade, o inglês,  o francês e o espanhol para o qual os autóctones não se furtavam. Um ilustre visitante de nome Franklin Roosevelt, um dos maiores presidentes que os Estados Unidos terão conhecido, Terá tido mesmo a intenção de criar na Horta, a sede das Nações Unidas, quando por aqui andou em 1919, então como  Secretario da Marinha.
Apenas um politico açoriano, alias um jovem obreiro e  continuador da autonomia, em boa hora viu, esse desiderato: Valorizar a história e o que fora anteriormente  conseguido.
É que e  à posteriori, tem sido um tal "esvaziar", um esvaziar  incontornável e incontrolável.
Como querem ou pensam que é possível pensar em desenvolvimento no Faial?
Como pensam que é possível a fixação das pessoas, na terra de onde são ou foram escorraçados, aquela  que afinal amam e desejariam ficar?
O Faial é um
cadinho de emigração sempre activo e sem fim à vista...
Muito havia para dizer...Mas ficamos por aqui,
terminando com o tal verso do Pedro da Silveira: