sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

A TERTÙLIA DOS "BLICAS FRIAS. PORQUE NÃO?

Ao Faial, e à Horta, em particular, falta-lhe, aquilo que o meu bom amigo Júlio da Rosa, caracterizava, e com alguma graça, uma "elite" intelectual, aquilo que melhor ou pior organizada e actuante,  em tempos existiu: alguém, que pensasse e discutisse o que pensava, e que apelasse ao bom senso e à criatividade.
Experiências,  aconselhasse, usasse da comunicação em proveito dos interesses da sua própria   comunidade. Alguém que falasse de cultura e a divulgasse, sem estigmas,  preconceitos,  tabus ou receios
O que temos hoje, são jovens "encanudados", provavelmente mais bem  "apetrechados" em determinadas áreas,  mas  mais voltados para a repetição (cópia), do que já  foi  Alguém que se reunisse e trocasse ideias, permutasse expeescrito, investigado  ou elaborado. Dizia-me há uns anos um historiador da praça, que alguém lá fora (e era  amigo comum, que vivera por cá muitos anos), o que por aqui havia era uma espécie de "necessidade" historiográfica,  de "copiar", e o que era preciso  era escrever mais e copiar menos, principalmente escrever  o que ainda não havia sido escrito. Afinal, uma verdade incomoda, mas real.
Há mesmo um certo "pudor" direi, um certo "desvelo", para não aplicar outro adjectivo menos edificante, em valorizar o que (embora escasso e com muito sacrifício), se tem feito, e por aqui existe, direi mesmo, com muito  esforço e algum "estoicismo". Isto para dizer, em abono da verdade, que o que se passa, é contrariar o que já houve e  existiu,   em tempos bem  mais difíceis.
Ao falarmos em palavra "elite",  (que não gosto), seria como que falar de uma espinha dorsal cultural, que não temos, nem se vislumbra com o rumo que as  coisas levam.
O Faial  tem  a tradição, de terra de tertúlias, (nos barbeiros, nas farmácias, nas drogarias)  e porque não dos "pensadores" e dos "rabiscadores" que as compunham?
Uma delas tornou-se  ímpar pela sua  bizarra
  alcunha: a tertúlia  dos "blicas frias".
Então porque não voltar a  fazer uma das ditas, mas mais quentes?

sábado, 1 de dezembro de 2018

Depois de "algum"  tempo de vida, sentida e  vivida, estamos  a falar de  décadas, (algumas décadas, há a necessidade de fazer um balanço do que ela foi, deveria ter sido ou poderia ter sido. E fica-nos a ideia e o sabor, ora amargo, ora acre-doce, que nos leva a perguntar:  " valeu  a pena?" Valeu de facto a pena, viver?". E a resposta só pode ser esta: Valeu e vale sempre a pena.
Podemos especular e dizer, que poderia ter sido melhor, muito melhor. Por vezes, até  inverter os papéis à  pergunta. E logo, discutir o porquê da doença, da pobreza,  da morte, flagelos que o século XXI deveria tentar eliminar, porque,  é uma necessidade a ser encarada e discutida com mais profundidade, maior empenho e mais compreensão. Podemos mesmo,  velada e cautelosamente afirmar, que tudo isto ou quase tudo o que ela encerra,  admitindo mesmo  as suas infindáveis benesses, não vai muito para  além de um pequeno embuste, um breve  sonho ou  uma bem elaborada história ou até  mentira.
Por mim, direi que ela, a vida, de tudo o que sucintamente foi descrito,   detém  um pouco de tudo isto ou seja, um misto de magia, sonho, pesadelo, e inutilidade.
E é quando nos aproximamos mais do presente e daquilo  que se passa aos nossos olhos, das politicas incorrectas, das paixões exacerbadas, dos desvarios não contidos, das mentiras contínuas, das falsidades a troco de nada, dos avanços tecnológicos permitindo e favorecendo, desde o exuberante milagre, ao caos sem remédio, aí é que nos apercebemos de quanto vale, "o vale tudo" que  domina  a mente humana, transformando  o impensável,   no trivial e no comummente aceite, uma espécie de loucura, que se tornou normal e normalizada, isto quer nos actos, quer nas pessoas que os protagonizam e os engendram.Uma noticia falsa, uma calúnia grave,  circula e dá a volta ao mundo  em segundos. Nem a pessoa mais honesta, séria e imparcial, escapa ou  está imune e livre, de ser enredada na "cabala", no jogo sujo, na vil trapaça  vil. Resultado: Acreditar está a tornar-se cada vez mais,   numa tarefa impossível.
E surgem as greves selvagens; as revoltas de rua. As batalhas campais; E as democracias, surgem encabeçadas por pequenos ditadores, com o voto favorável do povo. O povo, a votar contra si próprio. As detenções; os feridos, os espoliados. As paixões desordenadas, também politicamente aproveitadas. Um vê-se-te-avias socialmente impune e desordenado acobertado e beneficiando muitas vezes, ideias e ideários, que não favorecem maiorias, nem ninguém

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Quando os dias, estão contados...

Deslizamos  pela vida quase inconscientemente, sem nos apercebermos de que ela - vida-, é uma concessão e uma consequência, limitada no espaço e no tempo,   algo  que  nos foi "oferecido" com complacência, uma espécie de privilégio a "termo certo",  que não é, nem eterno, sem sequer longo.
Mas quando a consciência, nos desperta para esse tempo passado, e que aponta para a eminência do fim ou de um fim, aí é que nos apercebemos da  complexidade, da grandiosidade, da dimensão, da dificuldade de entendimento, que envolve todo o processo de existência,  concomitantemente com o  da morte.
E é aí, que em catadupa,  surgem as interrogações: os porquês; os mistérios e o desenrolar de  memórias  e imagens, da vida; de toda a vida: melhor ou pior vivida.
O porquê da doença?
Do bem e do mal?
O desafio, ao mesmo tempo, imenso e  grandioso, daquilo que nos rodeia?
A incapacidade de ultrapassar, o que não deve ou não pode ser ultrapassável?
Aquilo a que se convencionou chamar  ciência, esbarrando em pequenas  trivialidades do dia a dia?
O morrer para quê?
 E o nascer, também para quê?
Se a continuidade das espécies, é um fim em si ou uma necessidade intrínseca e natural?
Se a continuidade da existência, está para além da vida ou convive com a morte?
O "porquê" da Vida, continuar sendo um acto  solitário, tal como o nascimento e  a morte?
E é nesse derradeiro espaço de vida, que nos apercebemos, que a "experiência" de uma única vida, não é suficiente, para que dela se usufrua   todas as benesses, que poderiam acelerar e melhorar quer, o seu conhecimento, quer o seu usufruto, quer ainda o aproveitamento em prol de toda uma comunidade  que é afinal todo o Universo.













sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Muda-se, simplesmente. Não se olha ao resto

Sem querer especular, (para o bem ou para o mal), o futebol é uma actividade lúdica, da qual eu gosto, uma espécie de (brincadeira ou alienação), muito semelhante a outras que abundam e proliferam na actividade humana por este mundo, que gera paixão e controvérsia, por vezes até ódio e malquerença, deixando boquiabertos alguns  dos seus próprios apoiantes, menos fanático e mais lúcidos.
E isto vem a respeito da mudança do treinador, José Peseiro, do clube Sporting Clube de Portugal, uma instituição com raízes profundas de bom serviço na área do desporto nacional.
Trata-se da mudança de treinador. Isto não teria, nem levaria a grandes e até inusitadas reflexões, não fosse o caso de o Sporting ter estado de rastos há uns escassos meses atrás, uma situação que ninguém acreditava, que ele Sporting viesse a ser novamente uma grande equipa a nível nacional, europeu e mundial. E aí está. De uma assentada, numa das situações, quiçá mais difíceis porque alguma instituição desportiva ou não, terá passado, despede-se o orientador da equipa, mais concretamente o seu treinador, alguém que assumiu o inassumível, ou seja, tornar o  Sporting Clube de Portugal, uma equipa capaz de ombrear nas disputas nacionais e internacionais a que estava votado e habituado, isto sem qualquer justificação pela situação e até pelos seus resultados..
Acho isto uma atitude altamente reprovável, desumana e até pouco digna, uma vez que ele, Peseiro, foi alguém que assumiu as quase impossíveis dificuldades advindas de uma anterior e desastrosa gestão, algo que muito poucos o fariam. É caso para dizer: e o prémio, foi pô-lo na rua e porta fora.
O Sporting na pessoa do seu Presidente, Varandas,  não andou bem. E é caso para acrescentar, que o Sporting assim, não adiantou nada, segue uma linha que fere as consciências...desumanizada e sem dar exemplo a ninguém....

terça-feira, 16 de outubro de 2018

MELHOR EXPLICAÇÃO PARA A VIDA

Sou, como alguém sugeriu, um amigo congénito da vida, de toda ela: do seu sonho,  da sua felicidade, do seu percurso, dos seus propósitos; da sua grandeza, da sua missão, do seu fim.  Mas é no sonho e na dor, sobretudo na dor, que mais me revejo. No primeiro caso,   quando ela   se inicia e se manifesta. No segundo, quando  há sinais de que o fim  se aproxima. E é nesse fim, onde tudo se concentra e  condensa, onde tudo se inicia (?) e acaba, nesse pedaço de vida, que quase deixa de o ser, em que a história se confunde com  tempo, é nesse rebobinar de  factos, ideias, erros, verdades e dúvidas, que  fico pensando que a própria Natureza, intocada e intocável, vai, também ela,  gerando os seus próprios desafios e acumulando  alguns dos seus  mistérios e erros, e que a perfeição total afinal,  não existe. E que o inviável e o inexplicável, andam de mãos dadas, espreitando a vida através da sorte, do injustificável, por vezes inexplicável. E que, quer a filosofia, quer a ciência, vão tentando, através da palavra,  da experimentação e do Tempo (outra vez  o Tempo), tentando explicar, o que não tem explicação. Falo mais concretamente do fim e da Morte. Do fim da vida, não da sua finalidade, que também  deve merecer melhor explicação. A resposta de que assim sempre foi...e que assim sempre será,
não me satisfaz, nem me convence. Acho que a vida, toda ela, merece melhor destino ou pelo menos melhor explicação...Melhor, muito melhor...

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

POLITIZADO ATE ÀS UNHAS...DOS PÉS

Ao longo da "nossa tremida democracia", que não me cansei e não me  canso de elogiar, ao longo de mais de quarente anos,  surgiram algumas diatribes, mesmo incoerências),  que me fizeram ir constatando, cada vez mais, que o país passou de "ingénuo", a politizado, altamente politizado. Hoje tudo ou quase tudo, tem a chancela  e a interferência da política, umas vezes de forma mais mascarada, outras, nem tanto. Os sindicatos estão em todas as frentes e em todas as áreas e zonas: no ensino, na saude, não escapando mesmo, as forças de defesa e armadas, justiça e outras, que o comum cidadão, não entende. Até os taxistas se reclamam dos partidos com assento na Assembleia. Um louvar a Deus. Ninguém se interroga da justiça ou da legalidade desse poder e dessa acção reivindicativa, quase sempre de grupo e pessoal: é a democracia, dizem. E na democracia, vale "o tudo" ou "quase tudo". Ou seja: vivemos numa democracia onde, o "vale tudo" ou o "quase tudo" prevalece. E as leis  não escasseiam ou faltam, para regular ou desregular tudo e o mais.
Durante mais de vinte anos como dirigente sindical que fui, sempre entendi e aprendi,  que as reivindicações devem obedecer  a critérios bem definidos de razoabilidade e independência, analisados à luz da própria globalidade. O que vemos, é que  os mais "fortes" em termo sobretudo  de número, vão impondo as suas vontades e leis, sempre pela mão dos "padrinhos" e do partido que os suporta
Até os "taxistas" e as chamadas "plataformas digitais", andam às "trelas",  com a politica.
Onde ou em que está a razoabilidade de tudo isto?
O principio é sempre o mesmo, afinal pouco democrático: primeiro eu e os meus...só depois....os outros.
Não haverá formas de olhar para estas "coisas das reivindicações",  com outros olhos: os da sensatez, do equilíbrio, e da  justiça? E
também, porque não, da globalidade?

domingo, 2 de setembro de 2018

INTERROGANDO? SEMPRE!

Quando olho em redor,  fico impressionado.  A vida surge e preenche todo o espaço circundante. Nem há léxico,  nem   palavras, nem outras formas e fórmulas de comunicação capazes, que  possam mostrar,  demonstrar, definir ou simplesmente entender,  a grandiosidade do que se passa  à nossa volta . Tudo se cria e se recria. Tudo se move, movimenta e orienta. Tudo se agita e reproduz.
Darwin e muitos outros " humanos como nós, afinal animais como os demais," com um certo desenvolvimento intelectual, é certo, que lhes garante  perceber que há inteligência e até sensibilidade, mas perante a complexidade do envolvimento, em tudo isto, que apelidaram de Espaço e Tempo, tornaram-se numa "partícula" tão reduzida, que matematicamente se poderá  aproximar do zero. O reduzido tempo de chegada da Vida e a vida, global e individual em geral,  e a  permanência  no planeta em particular, naquele  que melhor se conhece - a Terra - não lhes permitem ter afirmações categóricas sobre, a sua origem,  os seus desígnios,  mesmo o seu futuro: são os  "mistérios", que o léxico comum  define, como sendo  algo que ninguém sabe.
O que se Sabe e muito  bem, é  que se nasce, que  se vive e que se  morre.
Não se sabe, o que houve ou que o há "antes e depois"...E o "morre" continua  sendo o fim (não a finalidade) de todos e de tudo
Tempo virá que se calhar, se irá saber... Por enquanto, não se sabe nada , com todo o respeito pelo esforço daqueles, que, através daquilo  que se convencionou chamar de  ciência e cientistas , têm dado aos seus "companheiros" de jornada.
Tempo virá, que estas coisas se calhar serão ultrapassadas, esclarecidas e até (sabe-se lá), resolvidas.
Até lá, vai servindo como lenitivo, a extraordinária visão de um Ser histórico, ímpar na sociedade dos humanos, de nome Cristo, ao proferir - "Eu sou a Ressureição e a Vida, quem acredita em mim, não morrerá...jamais "
Por isso e até lá, vamos continuar a acreditar ou a interrogar toda a maravilha que nos rodeia,-  disfruta-la e acreditar que não há fim, se calhar, nem finalidade.
Por enquanto o que há é Vida e Morte. E a morte é a negação da Vida.