Ao Faial, e à Horta, em particular, falta-lhe, aquilo que o meu bom amigo Júlio da Rosa, caracterizava, e com alguma graça, uma "elite" intelectual, aquilo que melhor ou pior organizada e actuante, em tempos existiu: alguém, que pensasse e discutisse o que pensava, e que apelasse ao bom senso e à criatividade.
Experiências, aconselhasse, usasse da comunicação em proveito dos interesses da sua própria comunidade. Alguém que falasse de cultura e a divulgasse, sem estigmas, preconceitos, tabus ou receios
O que temos hoje, são jovens "encanudados", provavelmente mais bem "apetrechados" em determinadas áreas, mas mais voltados para a repetição (cópia), do que já foi
Alguém que se reunisse e trocasse ideias, permutasse expeescrito, investigado ou elaborado. Dizia-me há uns anos um historiador da praça, que alguém lá fora (e era amigo comum, que vivera por cá muitos anos), o que por aqui havia era uma espécie de "necessidade" historiográfica, de "copiar", e o que era preciso era escrever mais e copiar menos, principalmente escrever o que ainda não havia sido escrito. Afinal, uma verdade incomoda, mas real.
Há mesmo um certo "pudor" direi, um certo "desvelo", para não aplicar outro adjectivo menos edificante, em valorizar o que (embora escasso e com muito sacrifício), se tem feito, e por aqui existe, direi mesmo, com muito esforço e algum "estoicismo". Isto para dizer, em abono da verdade, que o que se passa, é contrariar o que já houve e existiu, em tempos bem mais difíceis.
Ao falarmos em palavra "elite", (que não gosto), seria como que falar de uma espinha dorsal cultural, que não temos, nem se vislumbra com o rumo que as coisas levam.
O Faial tem a tradição, de terra de tertúlias, (nos barbeiros, nas farmácias, nas drogarias) e porque não dos "pensadores" e dos "rabiscadores" que as compunham?
Uma delas tornou-se ímpar pela sua bizarra
alcunha: a tertúlia dos "blicas frias".
Então porque não voltar a fazer uma das ditas, mas mais quentes?
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